Varejo concentrou aplicação em renda fixa no 1º semestre

A Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) divulgou ontem o primeiro resultado de uma pesquisa sobre a distribuição do investidor no segmento de fundos de investimento. O documento mostra que o aplicador de varejo ainda prefere os fundos de renda fixa, com um patrimônio líquido total de R$ 59,782 bilhões.

De acordo com o boletim de fundos da associação referente ao primeiro semestre de 2011, a participação do investidor de varejo vem caindo desde 2006, saindo de uma fatia de mercado de quase 30% para 16,8% ao fim de junho.

Demosthenes Pinho Neto, vice-presidente da Anbima, explica que não é computado o investidor de varejo que entra por fundos de previdência, que como é realizado pela seguradora, acaba sendo apresentado como institucional. "É claro que o investidor de varejo reduziu sua participação, mas se desmembrar o que aplica em previdência, a queda não é tão grande assim", afirma.

De 2006 até o primeiro semestre deste ano, a participação dos investidores institucionais na indústria de fundos de investimento se manteve em linha, com fatia total de 39,4%, a maior entre todos os tipos de aplicadores.

O varejo de alta renda possui um patrimônio líquido nos fundos de renda fixa de R$ 58,699 bilhões. O poder público tem PL de R$ 66,033 bilhões. Outras duas grandes participações são as dos investidores corporate e private: R$ 54,856 bilhões e R$ 39,469 bilhões, respectivamente.

"O primeiro semestre foi muito bom para a indústria de fundos de investimento. Sabemos que 80% do patrimônio investido em fundos de renda fixa ocorrem por conta da alta taxa de juros no Brasil", lembra o executivo, que diz ainda que o mercado ainda teve a ajuda do fraco desempenho da Bolsa de Valores brasileira.

Outro destaque sobre o patrimônio líquido por tipo de investidor é a forte presença das categorias coporate e private em fundos multimercados, com PL de R$ 88,071 bilhões e R$ 79,657 bilhões, respectivamente. O fundo tipo referenciado DI teve uma grande participação dos investidores varejo de alta renda, com patrimônio de R$ 66,577 bilhões e varejo, com R$ 42,345 bilhões.

Boletim semestral

A captação líquida dos fundos de investimento atingiu R$ 50,5 bilhões no primeiro semestre de 2011. O valor é 12,2% menor do que o registrado no mesmo período do ano passado (R$ 57,5 bilhões), mas 88,7% maior do que o captado nos primeiros seis meses de 2009 (R$ 26,8 bilhões).

O tipo que puxou a captação da indústria foi o de renda fixa, com R$ 49,8 bilhões de saldo entre as aplicações e os resgates. Mesmo desconsiderando-se o fundo de R$ 28 bilhões que migrou para esta categoria em março, saindo de multimercados, os produtos de renda fixa ainda tiveram captação líquida maior do que os fundos de curto prazo, o segundo colocado, com R$ 12,9 bilhões.

O patrimônio líquido da indústria, incluindo os fundos off shore, fechou junho com R$ 1,8 trilhão. O tipo renda fixa responde por 29,9% do total (R$ 537,8 bilhões), seguido pelos multimercados, com 21,7% (R$ 390 bilhões), referenciado DI, com 12,1% (R$ 218,6 bilhões), previdência, com 11,4% (R$ 205,7 bilhões) e ações, com 10,2% (182,7 bilhões). "A indústria brasileira cresceu 2,5 vezes o que as sete maiores indústrias cresceram de 2003 até 2010", comentou o vice-presidente da Anbima. Em relação ao rendimento, considerando o resultado acumulado nos últimos 12 meses, a maioria dos tipos registrou rentabilidade média compatível com os benchmarks que podem referenciar a avaliação de cada um dos tipos Anbima.

Os fundos de curto prazo apresentaram rendimento médio de 10,99% e os referenciado DI, de 11,24% no período, comparados ao desempenho de 11,07% do IMA-S (11,07%). Este índice da Anbima reflete o desempenho dos títulos públicos pós-fixados.

Já a categoria renda fixa rendeu 12,45% nos últimos doze meses, superando os 12,23% do IMA-Geral, indexador que mede o desempenho de todo o mercado de títulos públicos no Brasil. Em relação aos multimercados, o tipo juros e moedas alcançou 12,15% de rentabilidade no mesmo período de comparação.

(Eduardo Puccioni  l DCI)

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