Votorantim vai duplicar fábrica em Pernambuco

Na véspera da inauguração de sua nova fábrica de cimento em Paulista (PE), a 30 quilômetros de Recife, a direção da Votorantim Cimentos informou ao governo do Estado que tinha aprovado plano para duplicar a unidade industrial. O novo investimento, de R$ 370 milhões, vai permitir colocar mais um forno e adicionar 750 mil toneladas do produto. O mercado alvo é o de Pernambuco e outros vizinhos do Nordeste, região onde o consumo mais vem crescendo nos últimos anos.

"Esse valor nem está incluído no nosso programa de R$ 5 bilhões no Brasil, iniciado em 2007. É um investimento adicional", afirmou Walter Schalka, presidente da VC. O anúncio ao governador Eduardo Campos e ao prefeito de Paulista foi feito ontem á noite por Schalka e por Fábio Ermírio de Moraes, membro do conselho de administração do grupo Votorantim.

Essa fábrica, cujo produto sairá com a marca Poty, é resultado da transformação de uma unidade de produção de insumo para cimento, a pozolana, que existia no local desde 1942. O produto era transferido para outra unidade, na Paraíba. Essa mudança, tornando-se unidade de cimento, teve investimento de R$ 70 milhões, com capacidade de fazer 750 mil toneladas ao ano, com geração de 450 empregos diretos e indiretos.

A instalação do novo forno levará 22 meses, dotando a unidade industrial de uma linha completa, apta a fazer 1,5 milhão de toneladas de cimento por ano. A expansão prevê criar mais 150 empregos diretos e 600 indiretos. "Esse investimento reforça nosso compromisso com o crescimento de Pernambuco", disse Schalka, no comando da VC desde 2005.

O produto dessa fábrica, o Poti tipo CP IV-32, foi desenvolvido com especificações próprias para aplicações em obras na região. Vai dispor de maior resistência à maresia e à umidade, informa.

Segundo Schalka, a fábrica de Paulista visa substituir outra unidade que integrou o pacote de ativos no Nordeste entregue ao grupo francês Lafarge no início do ano passado em troca da participação de 17% que detinha na Cimpor, cimenteira portuguesa da qual a Votorantim passou a ser acionista com 21% do capital.

Ele explica que uma das vantagens para esse projeto são as reservas de calcário que a VC tem em Paulista. O minério é matéria-prima básica para a produção de clínquer, material que é moído e depois transformado em cimento em fornos a elevadas temperaturas. Deter a reserva de calcário é passo fundamental para montar uma fábrica integrada.

A retomada na produção de cimento no em Pernambuco, informa a VC, faz parte da terceira onda de seu plano de expansão, lançada em 2010. Orçado em R$ 2,5 bilhões, prevê oito novas fábricas em sete Estados no país até 2013. Com isso, totaliza pacote de R$ 5 bilhões em seis anos para erguer e reativar de 22 unidades fabris.

Com a fábrica de Poty, neste ano a empresa está pondo em operação seis unidades de produção – Santa Cruz, no Rio, dentro da siderúrgica da Thyssenkrup CSA (usando escória do aço), Imbituba (SC, prevista para o fim do mês), Vidal Ramos (SC, uma fábrica integrada), São Luís (MA, prevista para ser inaugurada em outubro) e a expansão de Salto, no interior paulista, que ganhou um forno de 1,2 milhão de toneladas. Os investimentos previstos para este ano somam R$ 1,5 bilhão.

Ao final desse pacote, o grupo Votorantim elevará sua capacidade de produção no país a 42 milhões de toneladas e a expectativa de Schalka é ter participação de 45% do mercado nacional, cuja demanda para 2013 é estimada em 70 milhões de toneladas. No ano passado, a VC teve receita líquida de R$ 8,5 bilhões.

(Ivo Ribeiro | Valor)

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