{"id":14445,"date":"2015-04-13T00:00:00","date_gmt":"2015-04-13T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost\/apsis\/blog\/geral\/valor-justosaida-para-crise-deconfianca-do-mercado\/"},"modified":"2015-04-13T00:00:00","modified_gmt":"2015-04-13T00:00:00","slug":"valor-justosaida-para-crise-deconfianca-do-mercado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/apsis.com.br\/en\/valor-justosaida-para-crise-deconfianca-do-mercado\/","title":{"rendered":"Valor justo,sa\u00edda para a crise deconfian\u00e7a do mercado"},"content":{"rendered":"<p>Luiz Paulo Silveira&nbsp;<\/p>\n<p>Paira hoje sobre o mercado financeiro internacional uma grande d\u00favida quanto \u00e0 efici\u00eancia dos sistemas de governan\u00e7a corporativa nas companhias brasileiras, tendo em vista a devassa a que vem sendo submetida a nossa maior empresa. Para se ter uma ideia deste universo e da dimens\u00e3o do problema, as companhias de capital aberto acumulam perdas de 6% em seu valor de mercado desde dezembro de 2012. Pelo \u00edndice Ibovespa, tais perdas chegam a 13%.<\/p>\n<p>Se somarmos a recente quebra de confian\u00e7a na governan\u00e7a ao desempenhoecon\u00f4mico,estecen\u00e1rio tende a piorar, a menos que haja um esfor\u00e7o coordenado para restaurar a credibilidade nestes ativos. A implementa\u00e7\u00e3o de um simples roteiro com medidas pr\u00e1ticas,direcionado primeiramente aos acionistas de nossas empresas de capital aberto, contribuiria muito para a restaura\u00e7\u00e3o da confian\u00e7a domercado.Esta diretriz tamb\u00e9m poderia ser utilizada por outros tipos de investidores, como cotistas de fundos de investimento de longo prazo e detentores de t\u00edtulos de d\u00edvida(deb\u00eantures).<\/p>\n<p>O roteiro sugerido pode ser dividido em tr\u00eas grupos de atividades: a aplica\u00e7\u00e3o de testes de recuperabilidade de ativos (ou testes de \u201cimpairment\u201d), a contrata\u00e7\u00e3o de opini\u00f5es de especialistas independentes (conhecidas como \u201cFairness Opinions\u201d) a respeito de contratos de longo prazo e a revis\u00e3o do modelo de governan\u00e7a corporativa.<\/p>\n<p>Os testes de recuperabilidade seriam o conjunto de medidas mais urgentes a ser acionado, principalmente nas companhias integrantes do segmento de \u00f3leo e g\u00e1s. Mesmo que fora do prazo, uma decis\u00e3o espont\u00e2nea de contrata\u00e7\u00e3o de empresa especializada para uma opini\u00e3o independente sobre a recuperabilidade dos investimentos realizados pela companhia ser\u00e1 muito bem recebida pelo mercado.<\/p>\n<p>Essas a\u00e7\u00f5es est\u00e3o relacionadas a aquisi\u00e7\u00f5es, constru\u00e7\u00f5es de novas unidades, projetos de expans\u00e3o e melhoria etc. Apesar da queda do valor de mercado, nos \u00faltimos dois anos o valor cont\u00e1bil m\u00e9dio dos ativos totais (ativo intang\u00edvel mais o ativo imobilizado) aumentou de 51% para 54% do total dos ativos registrados pelas nossas empresas de capitalaberto, excluindo-se bancos e companhias financeiras.<\/p>\n<p>Se considerarmos que, segundo o conceito de Ebitda, a rentabilidade m\u00e9dia sobre ativos totais ao longo desse mesmo per\u00edodo est\u00e1 em torno de 9%, temos um sinal de alerta chamando o mercado para uma an\u00e1lise mais aprofundada destes n\u00fameros.<\/p>\n<p>Extrapolando o referencial m\u00e9dio acima para os segmentos da ind\u00fastria, podemos observar que, no setor de \u00f3leo e g\u00e1s, a participa\u00e7\u00e3o dos ativos imobilizados mais intang\u00edveis sobre os ativos totais ficou est\u00e1vel em 74% nos \u00faltimos dois anos, mas sua rentabilidadecaiude8%para7%. \u00c9 uma rentabilidade preocupante, j\u00e1 que dela ainda s\u00e3o deduzidos o pagamento de impostos, juros e a deprecia\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica dos ativos de longo prazo, aqueles \u201cpesados\u201d 74% do total mencionados.<\/p>\n<p>Continuando a navega\u00e7\u00e3o pelos setores econ\u00f4micos, nos deparamos com outro segmento importante de capital intensivo: a ind\u00fastria do a\u00e7o. Nele, observamos a propor\u00e7\u00e3o de ativos de longo prazo estacionada em 62% nos \u00faltimos dois anos, enquanto a rentabilidade subiu de 9% para 11% no mesmo per\u00edodo. \u00c9 um setor sens\u00edvel \u00e0s varia\u00e7\u00f5es das taxas de retorno dos projetos de longo prazo, assim como o de \u00f3leo e g\u00e1s, devido \u00e0 combina\u00e7\u00e3o de baixa rentabilidade com alta participa\u00e7\u00e3o de ativos de longo prazo nos neg\u00f3cios.<\/p>\n<p>J\u00e1 no setor el\u00e9trico, apesar da rentabilidade baixa (constante em 4% nos \u00faltimos dois anos), a participa\u00e7\u00e3o dos ativos de longo prazo \u00e9 balanceada e equivalente a uma t\u00edpica empresa industrial (constante em 33% nos \u00faltimos dois anos). \u00c9 um segmento at\u00edpico, bastante influenciado pela \u201cantiguidade\u201d de nosso parque de gera\u00e7\u00e3o hidrel\u00e9trica. Os testes aqui devem concentrar-se na an\u00e1lise das taxas de retorno atribu\u00eddas aos projetos de renova\u00e7\u00e3o deste parque, entre outros \u201cgatilhos\u201d econ\u00f4micos ou ambientais que afetam o setor.<\/p>\n<p>Mas n\u00e3o s\u00f3 nas contas de imobilizado ou intang\u00edveis que encontramos ativos ou passivos de longo prazo a serem testados. Estes podem estar embutidos nas mais diversas modalidades de contratos, que tamb\u00e9m devem ser objeto de testes independentes, ou \u201cFairness Opinions\u201d. \u00c9 um trabalho de longo prazo, dado o volume e a complexidade destes tipos de contrato nas grandes empresas, principalmente de capital intensivo. Al\u00e9m dos formatos convencionais de contratos de constru\u00e7\u00e3o, pode-se relacionar as modalidades \u201cBuilt to Suit\u201d (BTS) e \u201cBuild, Operate and Transfer\u201d (BOT), muito utilizados hoje em dia,e geralmente n\u00e3o refletidos nos ativos de longo prazo constantes nos balan\u00e7os das empresas (aparecem como arrendamentosoperacionais).<\/p>\n<p>Concluindo, o diagn\u00f3stico propiciado pelas \u201cfotografias\u201d anteriores poder\u00e1 induzir a uma revis\u00e3o de todo o modelo de governan\u00e7a da empresa, incluindo alguns processos operacionais e administrativos. Para as empresas de capital fechado que se quer adotaram pr\u00e1ticas de governan\u00e7a minimamente recomend\u00e1veis ou, at\u00e9 mesmo, com um sistema de governan\u00e7a incipiente, a implementa\u00e7\u00e3o de um conselho consultivo seria um passo fundamental nesta dire\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>No entanto, para que esta estrutura de governan\u00e7a adicione valor \u00e0 estrat\u00e9gia deste tipo de empresa, os membros a compor um conselho consultivo deveriam ter perfis eminentemente independentes e condi\u00e7\u00f5es de aportarem conhecimento setorial e estrat\u00e9gico ao dia a dia operacional da empresa.<\/p>\n<p>O ambiente de crise muitas vezes \u00e9 o ideal para se testar novos conceitos e teorias. Se existisse um mercado sempre em crescimento, rentabilidade garantida e risco zero, seria indiferente para o investidor a an\u00e1lise de relat\u00f3rios cont\u00e1beis baseados em custohist\u00f3ricoouem valor justo. No Brasil de agora, em que a credibilidade deve ser mantida a qualquer custo, essa an\u00e1lise faz toda a diferen\u00e7a. Se as empresas agirem r\u00e1pido, apresentando n\u00fameros fundamentados e levando melhores pr\u00e1ticas para o mercado, estar\u00e3o criando uma grande oportunidade para o resgate da confian\u00e7a.<\/p>\n<p>Valor econ\u00f4mico<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Luiz Paulo Silveira&nbsp; Paira hoje sobre o mercado financeiro internacional uma grande d\u00favida quanto \u00e0 efici\u00eancia dos sistemas de governan\u00e7a corporativa nas companhias brasileiras, tendo em vista a devassa a que vem sendo submetida a nossa maior empresa. 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