{"id":75335,"date":"2026-08-27T12:18:34","date_gmt":"2026-08-27T15:18:34","guid":{"rendered":"https:\/\/apsis.com.br\/?p=75335"},"modified":"2026-08-27T12:18:37","modified_gmt":"2026-08-27T15:18:37","slug":"ifrs-18-impacto-avaliacao-empresas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/apsis.com.br\/en\/ifrs-18-impacto-avaliacao-empresas\/","title":{"rendered":"IFRS 18: Qual \u00e9 o impacto na avalia\u00e7\u00e3o de empresas?"},"content":{"rendered":"\n<p>O IFRS 18 n\u00e3o altera o valor intr\u00ednseco das empresas. Mas pode fazer voc\u00ea errar feio na leitura dos n\u00fameros. E isso, na pr\u00e1tica, muda decis\u00f5es.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>A nova norma substitui o IAS 1 e traz uma mudan\u00e7a estrutural relevante na forma como as demonstra\u00e7\u00f5es financeiras s\u00e3o apresentadas. N\u00e3o se trata de reconhecimento ou mensura\u00e7\u00e3o. Trata-se de algo mais sutil e, ao mesmo tempo, mais perigoso: como o desempenho \u00e9 organizado, classificado e interpretado.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Para que serve o IFRS 18?<\/strong>&nbsp;<\/h3>\n\n\n\n<p>Historicamente, havia ampla discricionariedade na demonstra\u00e7\u00e3o do resultado. Empresas classificavam receitas, despesas, juros e outros efeitos de forma distinta, muitas vezes dificultando comparabilidade e, em alguns casos, distorcendo a leitura operacional. E o IFRS 18 corrige isso.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Ele passa a exigir uma estrutura mais padronizada, com separa\u00e7\u00e3o clara entre atividades operacionais, de investimento e de financiamento. Al\u00e9m disso, introduz subtotais obrigat\u00f3rios, como o lucro operacional, reduzindo a flexibilidade na constru\u00e7\u00e3o de m\u00e9tricas intermedi\u00e1rias.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Na pr\u00e1tica, isso significa uma coisa simples: menos liberdade para \u201cajustar\u201d a narrativa e mais responsabilidade na interpreta\u00e7\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Outro ponto central est\u00e1 nas chamadas m\u00e9tricas gerenciais, as chamadas MPMs. Indicadores como EBITDA ajustado, lucro recorrente ou resultados normalizados continuam existindo, mas agora precisam ser reconciliados de forma transparente com os n\u00fameros reportados sob IFRS. Como resultado, isso eleva o n\u00edvel de disciplina e reduz significativamente o espa\u00e7o para interpreta\u00e7\u00f5es excessivamente otimistas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Essa exig\u00eancia de reconcilia\u00e7\u00e3o de MPM \u00e9 um dos primeiros pontos em que o impacto do IFRS 18 na avalia\u00e7\u00e3o de empresas se torna concreto: sem reconcilia\u00e7\u00e3o clara, o EBITDA ajustado IFRS 18 usado em um modelo de valuation perde parte da sua credibilidade t\u00e9cnica.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Impacto do IFRS 18<\/strong>&nbsp;<\/h3>\n\n\n\n<p>At\u00e9 aqui, parece apenas uma melhoria de disclosure. Mas para quem trabalha com valuation, o impacto \u00e9 bem mais profundo. Os modelos de fluxo de caixa passam a partir de uma base mais consistente, a necessidade de reclassifica\u00e7\u00e3o de itens diminui, a comparabilidade entre empresas melhora, os m\u00faltiplos se tornam mais confi\u00e1veis e o risco de inflar EBITDA ou distorcer margens operacionais reduz.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Mas existe um ponto cr\u00edtico que ainda est\u00e1 sendo subestimado: a transi\u00e7\u00e3o para essa norma.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A ado\u00e7\u00e3o do IFRS 18 exige reapresenta\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es comparativas, revis\u00e3o de s\u00e9ries hist\u00f3ricas e, principalmente, julgamento t\u00e9cnico na interpreta\u00e7\u00e3o das novas classifica\u00e7\u00f5es. E \u00e9 exatamente aqui que come\u00e7am os problemas reais.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Na pr\u00e1tica, temos visto muitos casos de:&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<ol start=\"1\" class=\"wp-block-list\">\n<li>Quebras de comparabilidade entre per\u00edodos;\u00a0<\/li>\n<\/ol>\n\n\n\n<ol start=\"2\" class=\"wp-block-list\">\n<li>Inconsist\u00eancias na defini\u00e7\u00e3o de resultado operacional;\u00a0<\/li>\n<\/ol>\n\n\n\n<ol start=\"3\" class=\"wp-block-list\">\n<li>Dificuldades na reconcilia\u00e7\u00e3o de m\u00e9tricas utilizadas em modelos financeiros;\u00a0<\/li>\n<\/ol>\n\n\n\n<ol start=\"4\" class=\"wp-block-list\">\n<li>Impactos indiretos em testes de impairment, especialmente \u00e0 luz do CPC 01;\u00a0<\/li>\n<\/ol>\n\n\n\n<ol start=\"5\" class=\"wp-block-list\">\n<li>Fragilidades em laudos utilizados para fins societ\u00e1rios e fiscais.\u00a0<\/li>\n<\/ol>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Isso refor\u00e7a um ponto central: o impairment IFRS 18 e a reconcilia\u00e7\u00e3o de MPM t\u00eam efeito direto sobre a robustez de qualquer laudo de avalia\u00e7\u00e3o IFRS 18.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Ou seja, o risco deixou de estar no n\u00famero em si e passou a estar na forma como ele \u00e9 interpretado. As consequ\u00eancias disso s\u00e3o diretas, visto que Valuations podem ser tecnicamente corretos no modelo, mas conceitualmente equivocados na base. \u00c9 nesse contexto que a atua\u00e7\u00e3o de um avaliador independente ganha outra dimens\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse ponto, n\u00e3o se trata apenas de construir modelos ou validar premissas. Trata-se de garantir que a informa\u00e7\u00e3o financeira esteja corretamente interpretada, ajustada e alinhada com a realidade econ\u00f4mica do neg\u00f3cio e com as exig\u00eancias regulat\u00f3rias.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Um avaliador experiente atua como ponte entre contabilidade e finan\u00e7as, reorganiza s\u00e9ries hist\u00f3ricas, normaliza resultados, identifica distor\u00e7\u00f5es relevantes e assegura que o fluxo de caixa projetado represente, de fato, a capacidade econ\u00f4mica da empresa.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Em processos mais sens\u00edveis, como testes de impairment, aloca\u00e7\u00f5es de pre\u00e7o de compra ou estruturas com impacto fiscal, essa atua\u00e7\u00e3o deixa de ser desej\u00e1vel e passa a ser essencial porque ela reduz risco de questionamento por auditoria, aumenta a robustez t\u00e9cnica dos laudos e fortalece a credibilidade das conclus\u00f5es perante investidores, reguladores e demais stakeholders.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Por que o impacto do IFRS 18 na avalia\u00e7\u00e3o de empresas exige aten\u00e7\u00e3o redobrada<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>Para quem constr\u00f3i ou revisa laudos t\u00e9cnicos, o impacto do IFRS 18 na avalia\u00e7\u00e3o de empresas n\u00e3o \u00e9 uma quest\u00e3o te\u00f3rica: ele aparece na reconcilia\u00e7\u00e3o de MPM, na defini\u00e7\u00e3o de EBITDA ajustado IFRS 18 e na consist\u00eancia dos testes de impairment IFRS 18. Ignorar essa camada de an\u00e1lise significa correr o risco de produzir um laudo de avalia\u00e7\u00e3o IFRS 18 tecnicamente correto no modelo, mas desalinhado com a nova realidade cont\u00e1bil.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Conclus\u00e3o<\/strong>&nbsp;<\/h3>\n\n\n\n<p>No final do dia, o IFRS 18 n\u00e3o muda o valor das empresas, por\u00e9m ele muda quem consegue explic\u00e1-lo com consist\u00eancia. Isso tem sido visto na pr\u00e1tica atrav\u00e9s das inconsist\u00eancias relevantes na adapta\u00e7\u00e3o \u00e0 nova norma.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Em resumo, entender o impacto do IFRS 18 na avalia\u00e7\u00e3o de empresas deixou de ser opcional para quem constr\u00f3i, audita ou depende de um laudo de avalia\u00e7\u00e3o IFRS 18.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Se esse tema j\u00e1 come\u00e7ou a aparecer nas suas an\u00e1lises, modelos ou discuss\u00f5es com auditoria, vale a troca.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Precisa de ajuda para isso? <a href=\"https:\/\/apsis.com.br\/contato\">Entre em contato<\/a> com a <a href=\"http:\/\/instagram.com\/apsisconsultoria\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Apsis<\/a> e fale com um de nossos especialistas no assunto.\u00a0<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O IFRS 18 n\u00e3o altera o valor intr\u00ednseco das empresas. Mas pode fazer voc\u00ea errar feio na leitura dos n\u00fameros. 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