Agências McCann e W/ anunciam fusão

As agências W/ e McCann confirmam hoje, oficialmente, por meio de nota ao mercado, a associação das duas empresas, assim como o novo comando e o plano de crescimento da WMcCann, a companhia criada a partir da fusão. A agência nasce como a sétima maior do país em verba publicitária, segundo dados do Ibope Monitor 2009. O acordo foi assinado no feriado de 21 de abril, apurou o Valor, poucas semanas após o atual CEO mundial da McCann Worldgroup, Nick Brien, ter entrado diretamente nas negociações.

Washington Olivetto, fundador da W/, será o chairman da nova companhia. Além de acompanhar de perto todo o processo criativo, seu foco estará na estratégia de longo prazo da agência. A presidência da WMcCann ficará a cargo de Fernando Mazzarolo, atual presidente da McCann no Brasil. Paulo Gregoraci, que ocupava a presidência da W/, será o vice-presidente de operações de mídia da nova agência.

"Nunca aceitei vender nada, ou envolver dinheiro nessa conversa. É algo que tem que passar por uma troca acionária entre as empresas", disse Olivetto semana passada ao Valor, logo depois de voltar dos Estados Unidos, sede da McCann. O negócio levou dez meses para ser finalizado e deve trazer novo gás à W/, assim como fazer a McCann sair da sombra, depois ter sido ofuscada por agências rivais que cresceram mais rapidamente nos últimos anos. Quanto à W/, a sua situação financeira delicada e a perda de contas importantes nos últimos tempos deixaram a companhia mais frágil. A agência criada por Olivetto em 1986 ganhou cinco novas contas em 2009, mas perdeu a megaconta da Schincariol, a dos calçados Reebok, a do laboratório EMS e a das canetas BIC. Olivetto, inclusive, pode deixar a empresa dentro de seis anos.

"Entrei nas negociações para uma fusão com a W/, mas saí porque não havia como fazer uma virada rápida lá dentro", diz um executivo do setor. "Eles têm prejuízo de mais de R$ 30 milhões e a receita não crescia, chegou a regredir de alguns anos para cá", afirma.

Alguns pontos nevrálgicos do acordo conseguiram ser resolvidos neste ano, como a questão da divisão interna de poder na nova empresa e a participação de cada agência no capital, uma vez que Olivetto não queria ser minoritário. Os publicitários não devem comentar o assunto, mas há uma expectativa de redução no quadro de pessoal de 20%, em média, segundo apurou o Valor.

Dados do Ibope Monitor de 2009 mostram que a McCann Erickson, que chegou a liderar o ranking brasileiro, não aparece entre as dez primeiras agências do Brasil. Sua compra de mídia caiu 17,1% no ano passado – a maior queda entre as 30 primeiras do ranking. Já a W/ ocupa a 43ª posição, com um resultado 13% melhor que o de 2008, mas ainda muito distante do grupo de líderes. Juntas, as duas administram cerca de R$ 1,3 bilhão em compra de mídia, segundo dados de 2009.

(Adriana Mattos | Valor)
 
 

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