Americana Genzyme avalia ter fábrica própria no Brasil

A farmacêutica americana Genzyme deverá definir nos próximos meses se terá no Brasil uma fábrica própria. O martelo deverá ser batido até o fim do ano, afirmou ao Valor Rogério Vivaldi, presidente global da companhia para a divisão renal e de endocrinologia. Vivaldi, que ocupava a diretoria-geral do grupo para a América Latina, foi promovido a um dos quatro presidentes mundiais da Genzyme este mês.

A decisão de se ter uma fábrica própria no Brasil deverá ser discutida com a matriz da farmacêutica nos próximos meses. Segundo Vivaldi, a companhia poderá adquirir um laboratório de pequeno a médio porte no país, como estratégia para ter uma base produtiva própria. "Parcerias com universidades e instituições também deverão ser intensificadas", afirmou o executivo.

A Genzyme é a quarta maior do segmento de biotecnologia do mundo e tem seu foco em doenças genéticas – para o combate dos casos de Gaucher e Fabry, por exemplo -, além de doenças renais, ortopedia, oncologia e endócrino. Para ocupar a cadeira de Vivaldi na América Latina, a empresa designou o executivo Frederic Turner, antes presidente da empresa na França, que assume o cargo a partir do dia 1º de julho. No Brasil, o comando já está nas mãos da executiva Eliana Tameirão.

As subsidiárias internacionais da Genzyme respondem por 55% das vendas da companhia no mundo. "O Brasil é uma das cinco maiores subsidiárias", disse Vivaldi. Cerca de 30 centros de pesquisa do Brasil estão fazendo estudos com a farmacêutica no momento, com cerca 40 pessoas da companhia envolvidas.

Em 2009, a Genzyme registrou faturamento de US$ 4,9 bilhões. A região da América Latina apresentou receita de US$ 300 milhões – o Brasil responde por 50% desse resultado. "O país é um dos que mais avançam em tecnologia celular. As pesquisas com célula-tronco estão se desenvolvendo rapidamente no país", afirmou Vivaldi. A divisão que o executivo passa a coordenar movimentou mais de US$ 1 bilhão no mundo no ano passado.

As diversas parcerias da Genzyme com multinacionais e instituições de pesquisas dentro e fora do Brasil colocam a companhia entre as principais farmacêuticas em biotecnologia no mundo. Vivaldi foi o responsável pela chegada da Genzyme no Brasil. Médico endocrinologista, formado pela UniRio (Universidade do Rio de Janeiro), o executivo começou a acompanhar, em 1992, o primeiro paciente brasileiro diagnosticado com uma doença rara, chamada Gaucher. Com o sucesso do caso, o médico foi indicado para atender outros casos. Em 1997, foi convidado para implantar a empresa no Brasil.

Em 2005, de presidente da companhia do país, passou a coordenar a América Latina. Neste ano, a Genzyme inaugurou no país uma divisão de pesquisa clínica e tem previsto para este ano cerca de dez estudos clínicos, com cerca de 300 pacientes no Brasil, México, Argentina, Colômbia e Chile.

(Mônica Scaramuzzo | Valor)
 

 

 

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