Após leilão, Triunfo já avalia mais negócios

Depois de ganhar o leilão de concessão do aeroporto de Viracopos, em Campinas (SP), a Triunfo Participações e Investimentos (TPI) continua analisando oportunidades de investimento no país. Além de ter comprado há menos de dois meses uma área em Manaus, na qual irá erguer um terminal portuário, a companhia – que chamou atenção neste ano por seu nível de endividamento – cogita disputar o próximo leilão de geração de energia A-5, que deve conceder daqui a quatro meses projetos de usinas de 1100 MW em Mato Grosso a investimentos de R$ 4 bilhões. Para projetos novos, pode existir uma nova emissão de ações.
 
Por enquanto, novos empreendimentos em energia são vistos apenas como possibilidades pela companhia. Caso virem realidade, no entanto, os projetos hoje fora do portfólio podem ser custeados com a ajuda também de uma nova emissão de dívidas a partir de 2013. Para os executivos, em curto prazo não é enxergado um cenário "ideal" para a oferta secundária de ações. "Não estamos num cenário macroeconômico favorável. Se o cenário mudar, aí a gente retoma essa análise e estabelece um cronograma [para uma nova emissão de ações]", explica Sandro Antônio de Lima, diretor de relações com o investidor da Triunfo.

As novas capitalizações, ressalta Lima, serviriam apenas para novos projetos. Para os que já estão em desenvolvimento no portfólio da companhia, já existiria capital suficiente. Por isso, ele defende que é preciso "desmistificar" a questão do endividamento da empresa, questão que ganhou os holofotes do noticiário de infraestrutura.
 
Ao ganhar a concessão do aeroporto de Viracopos, o grupo teve seus ratings nacionais de longo prazo colocados em observação negativa pela agência de classificação de risco Fitch. Houve relatos de que até a presidência da República teria ficado preocupada com a ganhadora de Viracopos. "Fizemos várias reuniões com autoridades do governo federal após o leilão e nunca foi mencionada essa preocupação", rebate Carlo Alberto Bottarelli, presidente da empresa. Por semanas, o grupo teve sua vitória analisada pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), por conta do recurso de um consórcio concorrente, liderado pela Odebrecht. "Temos 19 novos milionários por dia, e temos empresas novas também. Isso incomoda o ”establishment”", diz.
 
Segundo a companhia, o nível de endividamento não deve assustar, porque o grande fator de alavancagem está no setor de energia, devido a um dos dois projetos hidrelétricos estar ainda em desenvolvimento, sem geração de caixa.
 
Dentro do grupo, outros setores têm um nível de endividamento mais confortável. Em rodovias, por exemplo, a relação dívida sobre caixa ao final de 2011 foi de apenas 0,94. Com a entrada em operação da segunda hidrelétrica do grupo, a Rio Canoas (que tem a concessão da usina de Garibaldi, em Santa Catarina, de 178 MW), o que está previsto para agosto de 2013, o endividamento de 5,84 da companhia em energia promete baixar.
 
Paralelamente ao decréscimo gradual do nível de dívida, a companhia pretende colocar em prática nos próximos anos sua equalização de origem de receitas. Atualmente, as concessões de rodovias dominam o portfólio do faturamento e respondem por 63% dos atuais R$ 858,3 milhões de faturamento anual. Até 2016, no entanto, as estradas serão responsáveis por apenas um terço – tal como outros dois setores, energia e logística (contando o aeroporto de Viracopos). Segundo Bottarelli, as rodovias vão perder importância no balanço principalmente devido à concorrência que existe hoje pelas concessões – o que dificulta a vitória em futuros leilões nesse setor. "Tem um monte de gente especializada em estradas", diz.
 
Só com os projetos existentes, a empresa calcula dobrar seu faturamento para R$ 1,6 bilhão em quatro anos. Além da nova usina, está projetado o crescimento da atuação em cabotagem. Se somadas as receitas provenientes da Vetria Mineração – empresa formada em sociedade com América Latina Logística (ALL) e Vetorial Mineração no fim do ano passado – e do aeroporto de Viracopos, o faturamento chegará a R$ 2 bilhões até 2016.

(Valor)
 

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