Ativos em energia e rodovia no Rio podem ser vendidos

A Delta Construções pretende se desfazer de ativos secundários, como linhas de transmissão de energia e a concessão de uma rodovia estadual no Rio de Janeiro, para levantar recursos e equilibrar o fluxo de caixa enquanto convive com a impossibilidade de fechar contratos com a administração pública. No entanto, a empresa descarta colocar à venda seus negócios na área de engenharia, nos próximos dois anos – enquanto durarem, de forma praticamente simultânea, o processo de recuperação judicial e a declaração de inidoneidade pela Controladoria-Geral da União.
 
Após a desistência da J&F Participações em assumir o controle da empreiteira, a hipótese de venda não é mais cogitada, garante Marcelo Gomes, o executivo hoje à frente da Delta. “Dentro da recuperação judicial, não imaginamos vender a companhia. O que podemos é criar unidades produtivas isoladas e vender esses ativos”, afirma Gomes.
 
O executivo adianta que a Delta “provavelmente” sairá dos negócios que tem em quatro áreas. Juntas, elas corresponderam a cerca de 10% do faturamento da holding no ano passado, que alcançou R$ 2,3 bilhões. “Isso deve gerar o capital necessário para nos focarmos no nosso ”core”.”
 
Os segmentos citados pelo executivo são o de energia, rodovias, incorporação e aluguel de veículos. No setor elétrico, a Transenergia Renovável detém a concessão de 600 quilômetros de linhas de transmissão e 15 subestações, em Goiás e Mato Grosso. Na área de infraestrutura, o outro investimento da Delta é uma participação de 50% na concessão do sistema viário Itaboraí-Nova Friburgo-Cantagalo, conhecido como Rota 116.
 
A Delta Incorporação, braço imobiliário do grupo, desenvolve empreendimentos residenciais e comerciais. Sua atuação compreende edifícios de luxo, imóveis para a classe média e conjuntos habitacionais populares nos municípios do Rio, Niterói, Macaé e Vitória. Finalmente, outro negócio que pode ser colocado à venda é o de aluguel de equipamentos e veículos, como viaturas para polícias.
 
Em maio, a holding que controla o frigorífico JBS assumiu a gestão da Delta e iniciou um processo de auditoria em suas contas, com vistas a adquirir a empreiteira. No dia 1º de junho, a J&F Participações anunciou que desistia do negócio, alegando que a Delta sofria uma crise de credibilidade e apontando problemas no fluxo de pagamentos.]

(Valor)

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