BM&FBovespa aposta nas pequenas e médias

SÃO PAULO – Com a meta de aumentar em 50% o número de empresas listadas até 2015, a BM&FBovespa tem concentrado esforços para atrair pequenas e médias empresas para o mercado de capitais. Neste ano, ela instalou um escritório no Parque Tecnológico de São José dos Campos, que funciona como incubadora na área de tecnologia, e, pela primeira vez, levará seus cursos de governança corporativa para cidades fora do eixo Rio-São Paulo.

"Não é uma aposta. É uma necessidade", diz o diretor executivo de fomento e desenvolvimento de negócios da Bovespa, José Antônio Gragnani, ao defender o acesso das pequenas e médias à bolsa. Ele acredita que a expectativa de crescimento do País, com pré-sal, Copa do Mundo e Olimpíada, obrigará os empreendedores brasileiros a buscarem alternativas de financiamento de longo prazo, que vão além de recursos do BNDES, empréstimos em bancos privados e investimentos de fundos de private equity.

No segmento batizado de Bovespa Mais, as empresas podem fazer o IPO vendendo um número menor de ações. Também têm custos reduzidos para a oferta e produção periódica de análises independentes custeada pela própria bolsa. O desafio é tornar essa oportunidade conhecida de pequenos e médios empresários e oferecer a eles mais incentivos para que levem seus negócios à bolsa.

Faz cinco anos que a BM&FBovespa tem tentado isso. O segmento que prevê ofertas públicas de até R$ 150 milhões foi lançado em 2005 e até agora tem apenas uma empresa listada, a fabricante de fertilizantes Nutriplant.

A empresa abriu capital no início de 2008, pouco antes de estourar a crise financeira mundial. Naquela ocasião, conseguiu levantar R$ 20 milhões, que acabaram sendo usados para tapar buracos abertos pela recessão, em vez de financiar a expansão, como era o planejado.

A crise desencorajou outras empresas a seguirem o exemplo da Nutriplant. Muitas adiaram seus planos mas não perderam o interesse. É o caso da empresa de software Senior Solution, com faturamento anual na casa dos R$ 30 milhões. Boa parte das exigências para abertura de capital já foi cumprida, como ter as contas auditadas e constituir um conselho de administração.

Planos. A empresa já tem investimentos do BNDES e de um fundo de private equity, mas considera a capitalização em bolsa um caminho sem volta para a execução dos projetos de crescimento. "Estamos só esperando o humor do mercado melhorar", diz o presidente da Senior Solution, Bernardo Gomes. Nos últimos cinco anos, a empresa fez cinco aquisições e a meta é comprar pelo menos um concorrente a cada seis meses pelos próximos quatro anos.

"Para isso, precisamos garantir a captação de recursos num processo contínuo, e a bolsa é a saída." Assim como a Senior Solution, as empresas Le Biscuit, Teikon, Galena, Mastersaf, Alog e BS Bios também demonstraram interessem em fazer IPO no Bovespa Mais.

A BM&FBovespa conta hoje com 450 empresas listadas e pretende chegar a 650 em cinco anos. Gragnani afirma que esse crescimento será puxado pelas pequenas e médias, como tem ocorrido em outros países. "No Canadá, elas chegam a 2,3 mil, contra 1,5 mil que estão no equivalente ao nosso Novo Mercado", diz. "Esse é o futuro do mercado de capitais aqui também."

(Naiana Oscar | O Estado de São Paulo)

 

 

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