Bradesco registra maior lucro de banco brasileiro privado da história

O Bradesco registrou lucro líquido de R$ 2,103 bilhões neste primeiro trimestre, o maior já registrado por um banco brasileiro privado de capital aberto. O lucro foi 22% superior ao obtido em igual intervalo do ano passado, quando o mercado ainda sofria com a crise financeira internacional. "Esse resultado deveu-se à combinação de melhora do crédito e à redução dos custos por perdas esperadas com inadimplência", destacou o vice-presidente executivo do Bradesco, Domingos Abreu, que se revelou otimista com o cumprimento das projeções de crescimento de crédito ao longo deste ano. Os investimentos em infra-estrutura, informática e telecomunicações somaram R$ 765 milhões no primeiro trimestre de 2010.
O executivo manteve a expectativa de ampliar a concessão de financiamentos em até 25% em 2010, com foco nos segmentos de crédito consignado e para pequenas e médias empresas. No consignado, as projeções do banco são de uma alta de 32% a 36% na carteira neste ano. "Vai haver uma aceleração ao longo dos próximos trimestres", ressaltou. De acordo com Abreu, a demanda por crédito continuará aquecida ao longo de 2010, mesmo diante da projeção de que o Banco Central comece um novo ciclo de alta da Selic. A projeção do Bradesco é de que a taxa básica de juros encerre o ano em 11%. "O impacto da alta da Selic será limitado a algumas linhas, como a dirigida a empresas, ou cheque especial", declarou.
No ranking dos maiores lucros bancários, o resultado obtido pelo Bradesco fica atrás apenas dos registrados pelo estatal Banco do Brasil, que obteve R$ 2,347 bilhões de lucro em 2008 e R$ 2,343 bilhões dois anos antes. O lucro líquido ajustado foi ainda maior e somou R$ 2,147 bilhões, crescimento de 9,8% em relação ao R$ 1,956 bilhão obtido no mesmo período de 2009. De acordo com os dados divulgados pelo banco, a maior parte da lucratividade está relacionada às atividades financeiras, que responderam por R$ 1,444 bilhão proveniente ou 67% do total. O restante, R$ 703 milhões, foi gerado pelas atividades de seguros, previdência e capitalização, 33% do total. O retorno anualizado sobre patrimônio líquido, importante índice de rentabilidade dos bancos, ficasse em 22,2%, ante 24,1% um ano antes.
Os ativos totais em março de 2010 registraram saldo de R$ 532,626 bilhões, crescimento de 10,5% em relação ao mesmo período de 2009. O retorno sobre os ativos totais médios foi de 1,7%. A carteira de crédito total, encerrou o mês de março com R$ 235,238 bilhões, evolução de 10,4%. O destaque ficou com as operações de varejo. A concessão de crédito para pessoas físicas totalizou R$ 86,012 bilhões (crescimento de 16,7%), enquanto as operações com pessoas jurídicas atingiram o montante de R$ 149,226 bilhões (crescimento de 7,1%).

 

Inadimplência – Além do incremento do volume de crédito concedido, os resultados do banco foram impulsionados pela redução dos calotes. O índice de inadimplência, medida pelo saldo de operações vencidas com prazo superior a 90 dias, caiu a 4,4%, ante 4,9% do final de dezembro, embora ainda acima dos 4,2% de março de 2009. "Houve redução em todos os segmentos", declarou Abreu.
Na pessoa física, o índice de inadimplência terminou março em 6,7%, abaixo dos 7,1% do mesmo mês de 2009. Foi o menor nível desde dezembro de 2008, sempre considerando os atrasos acima de 90 dias. No índice das micro, pequenas e médias empresas, houve piora em 12 meses, com alta de 3,6% para 4,4%, enquanto que entre as grandes empresas o indicador caiu de 0,8% para 0,6% na comparação anual.
Tanto na pessoa física como na jurídica houve melhora da inadimplência em relação ao quarto trimestre. As taxas entre outubro e dezembro ficaram em 7,4% (pessoa física) e 4,8% (pequenas e médias empresas). A melhora em relação ao quarto trimestre decorreu do ambiente econômico mais favorável e foi notada em todos os segmentos, segundo o banco.
O indicador de atrasos nos pagamentos atingiu o pico em setembro do ano passado – de 7,6% na pessoa física e em 5,1% nas pequenas empresas – e em seguida começou a cair. A previsão do Bradesco é de que a inadimplência siga em queda, até chegar à faixa de 4% em dezembro.
Diante desta tendência, o Bradesco reduziu o volume de despesas com provisões para perdas esperadas para R$ 2,188 bilhões, queda de 18,8% sobre dezembro e de 20,8% em relação ao fim do primeiro trimestre do ano passado. Mesmo assim, o índice de cobertura da carteira atingiu 180,8%, o mais alto da série. O saldo da Provisão para Devedores Duvidosos (PDD) fechou março em R$ 15,836 bilhões, dos quais R$ 12,8 bilhões são de provisões requeridas pelo Banco Central e R$ 3 bilhões de provisões excedentes. Em comparação ao mesmo período de 2009, houve um aumento de 14,16% no saldo da PDD (R$ 13,871 bilhões).
A despesa de PDD no primeiro trimestre somou R$ 2,188 bilhões, abaixo dos R$ 3,188 bilhões do mesmo período do ano passado. Este é o terceiro trimestre consecutivo que o indicador registra queda. Segundo o banco, a redução ocorreu basicamente em função da menor constituição de provisão, mesmo em um cenário de crescimento da carteira de crédito.

Crédito imobiliário – O Bradesco triplicou as operações de crédito imobiliário no primeiro trimestre deste ano em relação ao mesmo período de 2009. As originações de financiamentos (contratação das operações e não o desembolso efetivo do dinheiro) pelo banco somaram R$ 1,846 bilhão de janeiro a março, diante dos R$ 650 milhões dos mesmos meses do ano passado. As estimativas do Bradesco são de chegar ao final do ano com R$ 6,5 bilhões em novos financiamentos imobiliários. "Se fecharmos com esse número, vai significar um crescimento de quase 50% sobre o ano passado", disse. O Bradesco financia, no máximo, 80% do valor do imóvel.
Grandes empresas – Abreu lembrou ainda que o volume de crédito voltado para as maiores empresas não capta outras modalidades de financiamentos a que essas empresas têm acesso no mercado de capitais, como a emissão de debêntures e notas promissórias. "Nós achamos que há potencial de crescimento nessa área, principalmente na emissão de dívida tanto no mercado interno como no externo", afirmou.
As operações primárias e secundárias de ações, debêntures, notas promissórias e certificados de recebíveis imobiliários, além dos Fundos de Investimento em Direitos Creditórios somaram, no período, R$ 6,980 bilhões, representando 45,1% do volume total destas emissões registradas na Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Destacou-se ainda em financiamentos de projetos e operações estruturadas, sendo responsável pelos negócios quanto à originação, distribuição e administração de ativos, fluxos e estoques financeiros de clientes.

(Ana Borges | Monitor Mercantil)

 

 

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