BTG Pactual adquire hospital São Luiz

SÃO PAULO – O banco BTG Pactual – por meio da Rede D ” Or – fechou ontem a compra do controle do hospital São Luiz. Com essa operação, a carioca D ” Or consolida ainda mais sua posição de maior grupo hospitalar do país, com faturamento de R$ 2,3 bilhões.

O valor da aquisição superou a casa de R$ 1 bilhão, segundo pessoas próximas à negociação. Há cerca de três semanas, o BTG formalizou uma proposta inicial de cerca de R$ 800 milhões para os controladores do hospital, Hélio Vasone e Ruy Marco Antônio, que detinham 70% do São Luiz. Os outros 30% estão nas mãos de um grande grupo de acionistas.

O pagamento pelo controle será feito numa combinação de dinheiro (a maior fatia), ações da rede D ” Or e debêntures conversíveis em ações. O plano do banco é formar um grande grupo hospitalar e as aquisições não devem parar por aí. Em maio, o BTG se associou à Rede D ” Or com esse propósito de expansão. Dois meses depois, o grupo carioca hospitalar recebeu aporte de R$ 55 milhões do IFC, braço privado do Banco Mundial, para aquisições.

A compra do São Luiz foi feita pela Rede D ” Or, mas por trás do investimento está mesmo o BTG Pactual, comandado pelo banqueiro André Esteves. Partiu dele a proposta para as famílias controladoras e as negociações foram conduzidas pelo banco. A entrada do BTG na D ” Or foi feita por meio de debêntures conversíveis em ações e não foi divulgado o tamanho desse investimento, mas fica claro que a posição é relevante.

Segundo o Valor apurou, as famílias controladoras do São Luiz fizeram um acordo de acionistas no ano passado e a venda já estava prevista. Antes da entrada do banco na Rede D ” Or, os controladores do São Luiz chegaram a oferecer o hospital para Jorge Moll, fundador do grupo carioca, e para Edson Bueno de Godoy, dono da Amil. A corretora Qualicorp, recentemente adquirida pelo fundo Carlyle, chegou a se interessar.

O grupo americano Tenet Healthcare e o Netcare, que tem hospitais na África do Sul e no Reino Unido, também tentaram negociar o controle do São Luiz. Mas a legislação que impede a participação de capital estrangeiro em hospital brasileiro foi um obstáculo. Em 2007, o hospital chegou a aventar uma abertura de capital, mas o plano não foi adiante por causa do risco regulatório implicado.

A carioca D ” Or já cobiçava o mercado paulista há alguns anos e o São Luiz era, sem sombra de dúvidas, a porta de entrada mais interessante. Em abril, a D ” Or fez sua estreia em São Paulo ao comprar um hospital em Santo André, no ABC paulista, mas seu foco era a capital paulista.

O interesse do BTG pelo São Luiz não é à toa. No mercado paulista, que é o mais rentável do país, há poucas opções de hospitais privados com potencial de expansão. Os hospitais mais reconhecidos na cidade são filantrópicos como Albert Einstein, Sírio-Libanês e Alemão Oswaldo Cruz. O São Luiz é ao mesmo tempo um hospital com uma marca forte e com potencial para expansão. Em entrevista ao Valor em abril, a presidente do São Luiz, Denise Santos, informou que o grupo hospitalar paulista tinha planos de se tornar uma rede nacional com até oito hospitais e que seriam investidos entre R$ 600 milhões e R$ 800 milhões para essa expansão, que poderia ocorrer por meio de aquisições ou construção de novos hospitais.

Os dez hospitais da Rede D ” Or e as três unidades do São Luiz, além dos 46 laboratórios Labs D ” Or serão integrados numa holding do grupo carioca. Hoje, apenas a unidade do Copa D ” Or está nessa holding. Até o fechamento desta edição, o São Luiz não se manifestou sobre a venda.

O São Luiz tem previsão de fechar o ano com um faturamento anual de R$ 750 milhões e lajida (lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amortização) de cerca de R$ 150 milhões.

Já o grupo carioca D ” Or tem faturamento de R$ 1,5 bilhão. Além do Rio de Janeiro, a D ” Or também está presente em Recife.

(Vanessa Adachi e Beth Koike | Valor)

 

 

 

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