Carlyle sai da sombra

Após comprar a Ri Happy, fundo americano acelera o ritmo de seus investimentos.

Desde que desembarcou no Brasil, em 2007, o fundo americano Carlyle tem a discrição como uma de suas marcas registradas. Em cinco anos, limitou suas aquisições no Brasil a poucas, mas significativas empresas: a operadora de turismo CVC, a fabricante de lingerie Scalina – dona das marcas TriFil e Scala – e a operadora de planos de saúde Qualicorp, além de uma participação na empresa de desenvolvimento urbano Scopel. Um ritmo incompatível com um dos maiores grupos do planeta na área do private equity, formada por fundos que compram empresas e promovem sua abertura de capital ou revenda. Mas esse quadro começou a mudar. Ao anunciar no início deste mês a compra da Ri Happy, maior rede varejista de brinquedos do Brasil, o Carlyle deu início a uma nova etapa de sua atuação. 
 
“Nossos planos preveem até três aquisições por ano”, afirma Juan Carlos Felix, diretor-geral do grupo no Brasil. Dinheiro para isso parece que não vai faltar. Apesar das compras efetuadas até aqui, o grupo mantém intacta boa parte do caixa de US$ 1 bilhão voltado para negócios no Brasil, graças à constante chegada de dinheiro vindo de outros fundos. “Se amanhã aparecer uma oportunidade de US$ 500 milhões, tenho de onde tirar esse dinheiro”, diz Fernando Borges, chefe das operações na América do Sul. Eclético, o Carlyle tem seus olhos voltados principalmente para o setor de consumo, nas áreas de varejo, educação, alimentos e serviços financeiros. 
  
Também acompanham de perto a área de logística para infraestrutura e agronegócio, especialmente no que se refere a biocombustíveis. “A palavra-chave de nossa estratégia é potencial de crescimento”, afirma Felix. Isso significa priorizar segmentos que peguem carona na expansão da classe média ou no crescimento da economia. Foi exatamente o caso da CVC, que cresceu continuamente desde sua compra, no início de 2011, e hoje possui um valor de mercado estimado em torno de R$ 6 bilhões – o número deverá ser confirmado na abertura de capital da empresa, prevista para o segundo semestre deste ano. O que deve seguir constante é a diversificação, uma das principais características do grupo. 
 
É difícil achar um segmento em que o Carlyle não atue. Desde sua criação nos Estados Unidos em 1987, já passaram pelo seu controle mais de mil empresas ao redor do mundo. Hoje, são R$ 160 bilhões em ativos administrados em 19 países por 84 fundos diferentes, financiados por 1,4 mil investidores. Entre seus conselheiros já estiveram nomes como os dos ex-presidentes George e George W. Bush, os ex-secretários de Estado James Baker e Collin Powell e o antigo premiê britânico John Major. A seleta rede, inclusive, valeu ao grupo a alcunha de “Clube dos ex-Presidentes”. Para se tornar mais uma sócia brasileira desse clube, uma companhia precisa seguir uma cartilha simples. 
  
Em primeiro lugar, é necessário contar com um modelo de negócios com alto porcentual de crescimento. Os fundadores da empresa adquirida devem também permanecer no negócio. Afinal, o Carlyle nunca adquire 100% de participação. “Em todas nossas aquisições no Brasil mantivemos o proprietário por perto”, diz Borges. “É uma forma de manter intacto o DNA da cultura de negócios.” Foi o que aconteceu, entre outros, com Ricardo Sayon, o controlador da Ri Happy, adquirida por estimados R$ 600 milhões. Sayom permanecerá no Conselho de Administração. Por fim, preferem empresas de médio porte. O entendimento do grupo é que companhias gigantes têm menor possibilidade de crescer, enquanto start-ups demoram muito para gerar retorno. 
 
(Marcelo Cabral | Isto é Dinheiro)

 

 

 

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