Casa do Pão de Queijo prepara aquisições

Ao voltar a dar as cartas na Casa do Pão de Queijo (CPQ), na posição de coacionista controlador, Alberto Carneiro começou a tirar projetos que estavam na gaveta e fala com entusiasmo sobre o futuro da rede de cafeterias, que foi fundada por seu pai em 1967. Os seus planos incluem a aquisição de negócios complementares, como redes especializadas em sorvetes e chocolates, além de cadeias de salgados como a própria CPQ.

Mas não se trata de grandes aquisições. "Estamos analisando negócios menores, de R$ 6 milhões a R$ 7 milhões de faturamento por ano", afirma o empresário. O sistema CPQ, que inclui tanto a franqueadora como as unidades franqueadas, faturou R$ 250 milhões em 2009. Neste ano, a previsão é crescer 8% pelo menos e agregar 25 às atuais 450 lojas da rede.

Transformar a Casa do Pão de Queijo em um guarda-chuva de franquias do setor de alimentação, com atuação em diferentes segmentos, é uma das alternativas analisadas. "Penso nesse modelo", diz Carneiro. Outras empresas já fizeram o mesmo, como a Brazil Fast Food Corporation, a dona do Bob”s, que opera no Brasil as marcas americanas KFC e Pizza Hut.

No entanto, Carneiro afirma que as franquias estrangeiras não fazem parte de seus planos, apenas as redes locais. "Queremos ser os donos das marcas", afirma.

Além de analisar novos negócios, Carneiro também vai ampliar o menu da Casa do Pão de Queijo. A rede vai lançar em breve uma linha de salgados integrais e vai introduzir chocolates no mix de produtos servidos com café.

As eventuais aquisições, acrescenta, poderiam ser bancadas com a emissão de dívidas ou mesmo por meio de um aumento de capital da CPQ. Quanto ao seu novo sócio na CPQ, o banco sul-africano Standard Bank, Carneiro afirma que ele está disposto a investir e injetar recursos na expansão da empresa. "Mas a geração de caixa da empresa é confortável", afirma. E essa posição permitiria à empresa elevar o seu endividamento.

O cenário é bem diferente do de 2009, quando a saída do Pátria Investimentos do capital da rede de cafeterias praticamente engessou os planos para o futuro. Em outubro de 2008, no auge da crise econômica, a gestora de fundos decidiu que era hora de vender as ações da CPQ depois de mantê-las em sua carteira de investimentos por quase dez anos. Esse costuma ser o prazo máximo que os fundos de private equity permanecem no capital de uma companhia.

O Pátria comprou 70% da CPQ em 1999, numa época em que a rede faturava R$ 60 milhões. O negócio foi um dos primeiros realizados por um fundo de private equity no país. "Na época, era uma novidade", diz Carneiro.

Mas, segundo consultores, a demora do Pátria em sair do capital da CPQ demonstra que o investimento pode não ter sido tão rentável como o previsto. A rede de cafeterias não alcançou ainda um tamanho grande o suficiente para permitir a venda de suas ações na Bolsa de Valores. Hoje, para realizar uma oferta pública de ações, as companhias buscam atingir patamares de vendas superiores a R$ 1 bilhão.

O processo de venda da CPQ só foi concluído no fim do ano passado após a análise de várias propostas e algumas idas e vindas causadas pelos temores com a crise econômica. Segundo apurou o Valor, vários compradores foram sondados: o Pátria enviou prospectos para 14 potenciais interessados, como Nestlé e Café Iguaçu. E houve avanço nas negociações com alguns compradores estratégicos, como Lavazza e Kopenhagen.

Mas, por fim, o acordo foi fechado com outro investidor financeiro, o banco Standard Bank, que aceitou o preço estipulado pelo Pátria, de R$ 70 milhões. Como parte do acerto, a família Carneiro também recomprou parte de suas ações e elevou sua participação no capital da CPQ de 30% para 50%, posição que lhe deu de volta o poder de decisão sobre os negócios.

"Estou feliz", diz Carneiro, que está à frente da gestão da Casa do Pão de Queijo desde os 18 anos. Aos 46 anos, operar a rede de cafeterias é o que ele sabe fazer.

(Claudia Facchini – Valor Econômico)

 

 

 

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