CEB vai vender ativos para investir na rede

Para enfrentar as dificuldades frequentes na distribuição de energia elétrica, com seguidos apagões no Distrito Federal, a Companhia Energética de Brasília (CEB) vai vender terrenos para investir no seu sistema. Até 2012, a empresa tem um programa de investimentos de R$ 410 milhões, dos quais R$ 274 milhões deverão ser provenientes da venda de um terreno de 284 mil metros quadrados que a empresa possui no bairro Noroeste, que está em construção em Brasília. A região tem um dos metros quadrados mais caros do país. A CEB venderá o terreno à Terracap, responsável pelo empreendimento, ou o leiloará livremente no mercado.

O diretor de comercialização da CEB, Carlos Leal, espera que, até 2012, a empresa já tenha saúde financeira que lhe dê acesso a financiamentos do BNDES e de bancos comerciais, para prosseguir com os investimentos em distribuição depois disso.

Apenas no ano passado, segundo balanço divulgado ontem, a holding da CEB voltou a ter lucro. Por causa das contas ruins, a empresa não conseguia bom acesso a crédito. Além do terreno do Noroeste, a CEB também cogita vender a sua sede, em região próxima à Esplanada dos Ministérios, em Brasília. Mas faz planos de construir outro: "Com esse dinheiro, poderemos construir um prédio novo no setor industrial e ainda sobrará."

O plano de investimentos prevê a criação de um sistema de distribuição em forma de anel, que é menos vulnerável do que o desenho de distribuição de energia radial, como existe hoje. "Por esse modelo, em abril de 2011, não teremos mais blecautes tão longos no Plano Piloto", diz.

Segundo o balanço, divulgado ontem, a CEB Distribuição teve, em 2009, receita operacional de R$ 1,5 bilhão e lucro de R$ 20 milhões no exercício. Segundo Leal, houve um saneamento na empresa nos últimos anos. Ele descarta uma possibilidade de privatização futura. "Sendo uma empresa rentável, dificilmente o governo, que tem 70% do capital da holding, vai querer se desfazer desse ativo no futuro."

Ontem, a CEB teve negado pedido de reavaliação de uma multa concedida pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). A multa de R$ 1,5 milhão foi à companhia de Brasília por deficiências na qualidade de distribuição de energia em 2007. Segundo Leal, a decisão não é de última instância e a CEB recorrerá.

(Danilo Fariello | Valor)
 

 

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