Com discrição, fundos investem R$ 67 milhões na Sascar

Menos de um ano depois de ter seu controle vendido para a GP Investimentos, a empresa de rastreamento de veículos Sascar recebeu um novo aporte de capital, de R$ 67 milhões. A operação foi fechada em dezembro, mas foi divulgada apenas nas notas explicativas do último balanço da GP, publicado no fim de março. A Sascar faz serviços de localização e monitoramento de veículos no Brasil via GSM/GPRS e por satélite.

Os recursos virão do fundo Empreendedor Brasil, que entrará com R$ 39 milhões e passará a deter 9,9% do capital da empresa. O grupo paranaense JCR, que vendeu o controle para a GP, também decidiu participar da rodada de capitalização, com R$ 28 milhões.
 
A BRZ Investimentos, controlada pela GP, é gestora desse fundo, que passa a ser sócio da Sascar. A GP nega, porém, qualquer tipo de influência na decisão de investimento da BRZ. O Empreendedor Brasil tem como principais cotistas fundos de pensão.
 
De acordo com a BRZ, o aporte na Sascar foi aprovado pelo comitê de investimento do Empreendedor Brasil, composto unicamente por investidores desse fundo, do qual a BRZ também é cotista, com uma participação de 2,5%.
 
O objetivo do Empreendedor Brasil é adquirir participações em empresas com faturamento de até R$ 150 milhões um ano antes da data de investimento. "Analisamos vários investimentos e, no caso da Sascar, avaliamos essa oportunidade por ter alto potencial de crescimento e estar inserido em um mercado de grande expansão no Brasil", diz a BRZ. O valor atribuído à Sascar na operação foi o equivalente ao da entrada da GP, corrigido pela taxa DI.
 
O novo aumento de capital ocorreu porque a Sascar precisa investir constantemente nos aparelhos instalados nos veículos rastreados, segundo a GP. A gestora diz que não aportou mais recursos de fundos próprios na companhia para evitar maior concentração do portfólio.
 
A Sascar registrou crescimento de 37% na receita líquida e encerrou o ano passado com 219 mil veículos sob cobertura, um aumento de 39 mil assinantes comparado a 2010. A gestora não revelou outros dados do balanço da companhia.
 
Com o aporte, a participação da GP no capital da Sascar foi diluída de 53,5% para 46,4%, segundo a gestora. A operação não foi abordada na divulgação de resultados do quarto trimestre nem na teleconferência com analistas. Questionada sobre por que informou a mudança na composição do capital da Sascar apenas nas notas do balanço, a GP argumentou que a operação não provocou alterações no patrimônio líquido da gestora, que possui capital aberto.

(Vinícius Pinheiro | Valor)

 

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