Danone está no “modo de compra”

O que quer uma empresa quando compra outra? No caso da francesa Danone, maior fabricante mundial de iogurtes, as aquisições têm três objetivos. O primeiro, conquistar marcas rivais. O segundo, aumentar a capacidade produtiva. E o terceiro, expandir a distribuição de seus produtos. "Na Rússia, por exemplo, o acordo de fusão com a Unimilk, fechado no mês passado, deu à Danone presença em áreas onde a companhia russa era mais forte", explica Mariano Lozano, presidente da Danone no Brasil. E por aqui? A companhia estaria interessada em comprar alguém? Mariano não nega. "Estamos no modo de compra", afirma ele, que assumiu a operação em maio do ano passado com a missão de dobrar o faturamento da companhia e chegar aos R$ 2 bilhões até 2012. "Se continuarmos crescendo às taxas que temos agora, vamos ter que investir em capacidade. E isso é uma coisa que a empresa tem que decidir rapidamente", afirma.

Desde o final de 2009, segundo Lozano, a Danone vem aumentando suas vendas em 20% ao ano. O R$ 1 bilhão faturado em 2008 passou para R$ 1,2 bilhão no ano passado. Embora a meta para este ano seja chegar a R$ 1,3 bilhão, os resultados conquistados até agora sinalizam que essa cifra pode ser superada.

Além disso, na quarta-feira da semana passada, a Danone iniciou a produção de sua segunda fábrica no Brasil, em Maracanaú, no Ceará. "A inauguração deu um alívio para a unidade de Poços de Caldas", diz ele, se referindo à fábrica mineira da Danone, primeira e até então única da companhia no país.

Mas esse alívio, diz Lozano, não deve durar muito. "Vamos ter de continuar investindo em capacidade", afirma. Segundo ele, a unidade de Maracanaú está preparada para dobrar de capacidade, se for necessário. "Mas, antes disso, temos que ver onde estamos crescendo mais no país", diz ele. Em seguida dá uma pista: "Afinal, não temos nenhuma fábrica no Sul." A região, segundo a Nielsen, é a segunda maior em consumo de iogurtes, perdendo só para o interior de São Paulo.

A Danone tem 35% do mercado de iogurtes no Brasil e é líder de mercado na maior parte das regiões do país. Em segundo lugar vem a suíça Nestlé, seguida da Batavo, da BRF Brasil Foods. No Sul do país, as marcas mais fortes são a Piá, da Cooperativa Agropecuária Petrópolis, de Nova Petrópolis, no Rio Grande do Sul e a Tirol, de Treze Tílias, em Santa Catarina. Mas Lozano ressalta: "Não conversamos com ninguém até agora."

A venda da Paulista – empresa regional, com atuação no Sudeste do país, comprada pela Danone em 2000 – segundo Lozano, não é prioridade para a empresa agora. "Estamos mais para comprar do que para vender." No entanto, o presidente admite que poderia negociar partes da companhia. "Assim como há leiteiros e padeiros, somos ”iogurteiros”. Nosso negócio é iogurte e empresas regionais como a Paulista nos interessam. Mas a produção de leite não é nosso foco."

Antes de assumir a filial da multinacional francesa no Brasil, Lozano esteve à frente da Danone na África do Sul, onde trabalhou de 2006 até maio de 2009. Nesse período, a Danone dobrou o tamanho do negócio naquele país. O consumo de iogurte dos sul-africanos passou, no mesmo intervalo, de 4 quilos ao ano para 6 quilos e também foram feitas aquisições.

Por aqui, a fórmula de Lozano deve ser a mesma. "O brasileiro consome 6 quilos de iogurte por ano. Isso é o mesmo que um pote a cada seis dias. Queremos aumentar esse número", diz ele. Na Argentina, por exemplo, o consumo no ano 2000 era de 5 quilos por pessoa ao ano. Hoje, esse número passou para 15 quilos, segundo Lozano.

Para conseguir aumentar o consumo no Brasil a Danone investe pesado em publicidade. De acordo com o levantamento da publicação especializada "Meio & Mensagem", a Danone investiu no ano passado 143% mais em marketing que em 2008, alcançando R$ 206,6 milhões em investimento publicitário. "Hoje, 85% de todo investimento publicitário do setor de iogurtes é da Danone", afirma o executivo.

Alguns frutos desse esforço com publicidade já foram sentidos. O presidente não revela número de vendas recentes, mas diz que a Danone Brasil, que era a oitava operação da matriz no mundo no final de 2009, chegou agora ao 6º lugar. "Nossa meta é conquistar a 4ª colocação", afirma.

(Lílian Cunha | Valor)
 

 

 

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