De ‘espelhinho’ a tele nacional, Transit expande operações

Reflexo do início da privatização das telecomunicações no Brasil, a Transit Telecom é uma das poucas operadoras criadas para estimular a competição da telefonia fixa local que sobreviveu. Com o modelo de voz sobre internet (VoIP) oferecido inicialmente em Gramado e Canela, no Rio Grande do Sul, a empresa foi se adaptando às mudanças do mercado ao longo da década para manter a competitividade. Hoje, com 300 mil clientes residenciais e empresariais, tem um faturamento de R$ 214 milhões e transmite sobre sua rede o tráfego do UOL e do Skype. A companhia planeja investir R$ 200 milhões nos próximos dois anos para aumentar de 62 para 152 seus pontos operacionais de presença. Com isso, chegará às principais cidades do Nordeste até o fim do ano, preenchendo as lacunas que faltavam para ser uma operadora nacional.

Os planos não param por aí. A Transit aguarda a regulamentação das operadoras móveis de redes virtuais (MVNO) para aumentar a capilaridade de sua infraestrutura. Isso significa que mesmo onde não tenha rede instalada, poderá atuar por meio de parceria com o dono da rede e usar sua própria marca. A demora na definição da regulamentação pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) tem representado um entrave para a Transit, que não consegue atrair investidores sem um plano concreto, afirma a vice-presidente institucional da empresa, Lucia Helena Makhlouf. Ainda não se sabe, por exemplo, se será permitido à operadora virtual se vincular a mais de uma dona de rede, o que a executiva considera fundamental, mas tem sido ponto de discórdia entre as partes envolvidas.

A direção da Transit não quer crescer apenas usando a rede de terceiros. Os planos também preveem oferecer sua infraestrutura a outras empresas, num tráfego de voz e dados de duas mãos. A empresa acaba de firmar acordo com o VoIP Group, para oferecer sua infraestrutura aos cerca de 2 mil pequenos e médios provedores de banda larga e de TV a cabo atrelados ao grupo. Com isso, essas empresas poderão adicionar voz aos seus pacotes ou expandir-se para outras áreas, com dados. Muitos deles têm licença de Serviço de Comunicação Multimídia, o que permite vários serviços sobre internet; ou de telefonia fixa tradicional. Por meio da parceria, poderão não apenas obter tarifas mais competitivas, para voz, como levar a banda larga a localidades ainda não atendidas pelas concessionárias, diz a executiva.

Essa aliança foi batizada de VoIP Cloud Distributor, sistema em protocolo internet que fica instalado no centro de dados da Transit. O provedor poderá vender serviços de telefonia IP sem precisar investir em equipamentos ou software; todo o tráfego irá para o sistema da Transit. A expectativa é de registrar 5 milhões de minutos trafegados por mês até o fim de 2011.

A flexibilidade para mudar sempre que necessário garantiu a sobrevivência da Transit, que começou com 70 funcionários em 1999 e agora tem 800, diz Lucia Helena. Nos últimos dois anos, a empresa vem amadurecendo o conceito de ” infotelecom ” , ou a prestação de serviços de telecomunicação e tecnologia da informação. A ideia é ir além da oferta de serviços de banda larga, TV por assinatura e telefonia fixa, pacote conhecido como triple play. "Queremos ser multiplay", afirma a executiva.

Para isso, a executiva conta com a infraestrutura de banda larga própria, de parceiros e, futuramente, do plano nacional de banda larga do governo federal. Por que não criar serviços para toda essa rede que passa na frente de milhões de domicílios? Um dos pacotes inclui 40 sistemas de prédio inteligente, com comandos remotos que acionam automaticamente mecanismos e eletrodomésticos à distância. Paralelamente, a companhia investe na implantação de 3 mil quilômetros de fibras ópticas no interior de São Paulo e em anéis metropolitanos próprios e compartilhados.
 
(Ivone Santana | Valor)

 

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