Depois de aquisição, Xerox busca novos negócios no Brasil

Yoram Levanon, presidente da Xerox no país: reforço à atuação nas áreas de gestão e processamento de documentos
A Xerox vai abrir novas frentes de negócios no país. A estratégia começa a ser definida esta semana em conjunto com a Affiliated Computer Services (ACS), empresa que a tradicional fabricante de copiadoras adquiriu, em fevereiro, por US$ 6 bilhões. Os planos são de, juntas, ampliar a atuação na gestão e no processamento de documentos.

Uma das áreas a serem exploradas é a de serviços públicos, segmento no qual a americana ACS já tem presença significativa nos Estados Unidos. O destaque é para as atividades relacionadas à saúde e aos transporte viário e ferroviário, além da gestão de pedágios e estacionamentos, informa o presidente da Xerox no Brasil, Yoram Levanon.

Chega ao Rio nesta semana Tom Bloodget, segundo na hierarquia da ACS. O executivo se reporta diretamente a Ursula Burns, presidente mundial da Xerox. Junto com o comando da subsidiária brasileira, Bloodget vai estudar oportunidades de negócios, delinear novos planos e visitar clientes.

" Vamos avaliar, mas atender a governos e atuar em serviços de atendimento ao público têm tudo para tornar-se um caminho a ser buscado a partir da experiência da ACS " , diz Levanon.

Combalida desde o início da década de 2000, quando o mercado tradicional de fabricação de copiadoras e impressoras entrou em uma era de competição acirrada, marcada pelos preços em queda, a Xerox continua produzindo um amplo leque de equipamentos. Em paralelo, porém, a companhia vem se voltando cada vez mais para a terceirização de serviços de impressão, o chamado " business process outsourcing " (BPO).

No Brasil há 44 anos, a Xerox tem duas fábricas e um grande centro de produção e integração de processos para gestão de documentos – área batizada de Xerox Connection Center -, em Tamboré (SP), onde hoje estão 65% dos 3 mil empregados no país. A sede continua no Rio.

Há unidades menores atuando no processamento de documentos em Salvador, em Porto Alegre e no Rio de Janeiro. No total, essas instalações são capazes de produzir mensalmente 200 milhões de impressões em uma só cor e 1,5 milhão coloridas, além da digitalização de oito milhões de páginas.

Hoje, os principais clientes de BPO são empresas de telecomunicações e bancos, que empregam o modelo no processo de abertura de conta-corrente, concessão de crédito, impressão e processamento de cheques. Já a ACS opera no Brasil apenas para atender clientes globais de BPO, como General Motors (GM), Motorola, Michelin e Goodyear. A companhia oferece serviços relacionados a processos de gestão na área financeira e recursos humanos em empresas do setor de manufatura.

A Xerox não informa valores de faturamento no Brasil, mas prevê um salto da receita com a ampliação dos serviços prestados a partir da sinergia com a ACS. A operação brasileira está entre as cinco maiores no mundo e é a maior na América Latina. A aposta de Levanon baseia-se, em parte, na própria perspectiva de crescimento da economia brasileira.

O lucro líquido mundial da Xerox em 2009 foi de US$ 485 milhões. As receitas totais chegaram a US$ 15,2 bilhões, abaixo dos US$ 17,6 bilhões de 2008. Segundo informações da empresa, o endividamento caiu US$ 1,1 bilhão em 2009, excluindo os US$ 2 bilhões em títulos lançados no mês passado, relacionados à compra da ACS. A companhia encerrou 2009 com um saldo de caixa de US$ 3,8 bilhões.
 
(Heloisa Magalhães | Valor)

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