Dreyfus fará IPO da Biosev para crescer no setor de cana

A Biosev, divisão de energia da multinacional francesa do agronegócio Louis Dreyfus no Brasil, prepara listagem na BM&FBovespa visando reforçar sua participação no setor sucroenergético, ampliando cultivo e elevando sua capacidade de processamento de cana, atualmente em 40 milhões de toneladas.

A unidade sucroenergética da Louis Dreyfus Commodities divulgou os termos de sua abertura de capital no segmento Novo Mercado da BM&FBovespa, podendo levantar até 1,14 bilhão de reais com a venda de suas ações.

Segundo informações do prospecto, 70 por cento dos recursos levantados deverão ser destinados ao plano de crescimento da companhia e o restante será para a amortização das dívidas.

“Nossa principal estratégia é fortalecer nossa posição de liderança no setor sucroalcooleiro brasileiro e internacional, expandindo nossas atividades… por meio da consolidação e do aproveitamento de nossas vantagens competitivas”, informou a companhia em prospecto sobre a operação.

Além do plantio próprio, a companhia prevê ampliar a aquisição de cana-de-açúcar produzida por terceiros, elevar as margens e investir em estrutura operacional para reduzir custos. A companhia aponta ainda a possibilidade de aquisição de novas unidades.

“Pretendemos continuar investindo na construção e aquisição de estruturas de logística próprias, como armazéns e tanques, a fim de reduzir os custos de armazenagem de nossos produtos e aumentar a flexibilidade para a venda ou carregamento de estoque”, informou a companhia.

O período de reserva para a oferta vai de 6 a 17 de julho, enquanto a fixação de preço por ação está marcada para 18 de julho. O início das negociações na BM&FBovespa está previsto para 20 de julho, sob o código BSEV3.

Os coordenadores da oferta da Biosev são Bradesco BBI, JPMorgan, BB Investimentos, ItaúBBA, Santander e Banco Votorantim.

Com o IPO, a Biosev vai se juntar a grandes companhias do setor na Bovespa, como a Cosan, São Martinho e a francesa Tereos, que também reforçaram o seu crescimento com aberturas de capital.

A BIOSEV

A companhia, descrita pela Louis Dreyfus como segunda maior esmagadora de cana do Brasil, vai emitir um lote inicial de 41,212 milhões de ações ordinárias em oferta primária e estimou uma faixa de preço entre 16,50 e 20,50 reais por papel.

Com isso, a empresa, que emprega 20 mil funcionários e tem capacidade para 1.000 GWh de cogeração, pode levantar de 680 milhões a 845 milhões de reais com o lote inicial.

Caso haja uma demanda adicional, a Biosev poderá oferecer mais 6,182 milhões de ações ordinárias em lote suplementar e 8,242 milhões de ações em lote adicional. Nesse caso, considerando a venda da totalidade dos lotes, o IPO pode chegar a 1,14 bilhão de reais.

A Biosev surgiu em outubro de 2009, com a fusão da Louis Dreyfus Commodities Bioenergia com a Santelisa Vale. A empresa tem unidades industriais localizadas nas principais áreas produtivas do Brasil e capacidade de processamento de 40 milhões de toneladas de cana-de-açúcar por ano.

A companhia conta com 11 usinas nos Estados de São Paulo e Mato Grosso do Sul e mais duas unidades na região Nordeste, das quais 12 têm flexibilidade para produzir etanol e açúcar.

A Biosev tem capacidade de produção anual de 2,8 milhões de toneladas de açúcar e de 1,8 bilhão de litros de etanol, em ambos os casos quando utilizado o potencial máximo. Além disso, produz 1.000 GWh/ano de energia elétrica renovável excedente a partir do bagaço da cana.

No ano encerrado em 31 de março de 2012, a companhia moeu 27,5 milhões de toneladas, ou quase 69 por cento de sua capacidade.

A moagem de cana total do centro-sul do Brasil em 2012/13 é estimada pela indústria em cerca de 509 milhões de toneladas.

Para este ano, as empresas do setor esperam um aumento pequeno na moagem, com maior disponibilidade de cana, enquanto analistas trabalham com um cenário de crescimento do setor, puxado pela demanda crescente na Ásia.

(Sérgio Spagnuolo e Fabíola Gomes | Reuters)

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