Drogaria São Paulo compra Drogão e foca em shopping

O ranking das maiores redes de farmácia do país mudou de classificação ontem. Em uma apertada disputa pelo primeiro lugar, a Drogaria São Paulo, dona de 254 lojas no país e de um faturamento de R$ 1,71 bilhão em 2009, anunciou a compra do Drogão, com 72 lojas e vendas de R$ 313 milhões. Com a investida, a Drogaria São Paulo se torna a maior varejista farmacêutica do Brasil, com cerca de 6% do mercado nacional, que ultrapassa os R$ 30 bilhões ao ano.

Controlada pela família Carvalho, a Drogaria São Paulo pagou aos irmãos Paulo e Marcos Guimarães, fundadores do Drogão, 25% do valor, não revelado, em dinheiro, com recursos próprios. O restante foi pago em ações da empresa. Os Guimarães passam a deter uma cadeira no conselho de administração da nova rede, que deixará de adotar a bandeira Drogão até o início de 2011.

A empresa da família Guimarães, que recebeu assessoria financeira do Banco Safra de Investimento, ocupava a 14ª posição no ranking das varejistas farmacêuticas, segundo a Associação Brasileira das Redes de Farmácias e Drogarias (Abrafarma).

A negociação durou seis meses, segundo Gilberto Ferreira, presidente da Drogaria São Paulo. "A aquisição completa perfeitamente o nosso mix de lojas, reforçando a presença da rede nos shoppings", diz Ferreira, ex-controlador da Farmax, comprada pela Drogaria São Paulo em 2002. Das 72 lojas do Drogão, 42 estão em shoppings, contra apenas cinco unidades da Drogaria São Paulo nessa condição.

O plano de expansão engloba outras aquisições – possivelmente a partir de empréstimo bancário, diz Ferreira – e crescimento orgânico. "Vamos investir cerca de R$ 40 milhões este ano, para abrir mais 40 lojas", afirmou o executivo.

O foco continua nos Estados de São Paulo, Rio e Minas Gerais, mas o Nordeste pode voltar a entrar no radar. A empresa desembarcou na região há cinco anos, abrindo duas unidades em Salvador e duas em Fortaleza. Mas o crescimento no Nordeste foi barrado por uma ação do Sindicato do Comércio Varejista de Produtos Farmacêuticos do Ceará (Sincofarma), que reclamava da política de descontos da rede, de pelo menos 20% sobre o preço máximo de tabela dos medicamentos, definido pelo governo.

"No início deste ano, conseguimos obter na Justiça do Ceará uma decisão favorável, que nos permite voltar a dar os descontos", diz Ferreira. Com isso, o planejamento estratégico para 2011 pode ser revisto. "É uma praça que interessa bastante", afirma.

A empresa também planeja dar início à venda on-line, possivelmente a partir do segundo semestre. "Vamos aproveitar a experiência do Drogão nessa área, mas ainda precisamos definir se a entrega será em todo o Estado ou apenas onde temos uma loja física", diz Ferreira. O objetivo maior da Drogaria São Paulo, porém, é abrir capital em 2012.

Em um setor bastante pulverizado, em que as redes de farmácias detêm 40% das vendas totais de medicamentos e apenas 5% das lojas, a disputa continua bastante acirrada. A até então primeira colocada, a cearense Pague Menos, fechou 2009 com faturamento de R$ 1,85 bilhão. A paulista Drogasil, que estava no segundo lugar, registrou vendas de R$ 1,78 bilhão no ano passado. A lista das cinco primeiras se completa com a carioca Pacheco e a também paulista Droga Raia, que tiveram em 2009 receita bruta de R$ 1,62 bilhão e R$ 1,59 bilhão, respectivamente.

(Daniele Madureira com Lílian Cunha e Beth Koike, de São Paulo | Valor)
 
 

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