ellucian concentra foco na área educacional

O mercado de software de gestão empresarial (ERP, na sigla em inglês) costuma ser muito disputado, principalmente em setores como o financeiro e o de telecomunicações, que estão entre os maiores consumidores de tecnologia. A ellucian pretende explorar esse mercado no Brasil, mas sob uma perspectiva própria. O setor educacional, em expansão no país, é o foco da estratégia. A companhia americana encomendou uma pesquisa à consultoria em educação Hoper, segundo a qual os gastos de universidades com tecnologia no Brasil vão triplicar em cinco anos, para cerca de US$ 3 bilhões em 2017.

O estudo mostra que parte desse impulso visa atender às expectativas dos universitários das classes C e D, que querem ter o mesmo tipo de acesso on-line à universidade conquistado por alunos de outras classes sociais, como a possibilidade de acessar suas notas via web. Para oferecer esse tipo de serviço a um número maior de alunos, as escolas terão de investir na modernização de seus sistemas.

A ellucian é resultado da fusão das americanas Sungard Higher Education (SGHE) e Datatel. As duas empresas já atuavam no setor de softwares de gestão voltados a instituições de ensino superior. Na área de educação, os programas têm aplicações amplas, que vão desde controlar a folha de pagamento dos funcionários até as matrículas e o desempenho dos alunos. O objetivo é melhorar as rotinas da instituição e ajudar a diminuir a evasão dos cursos. Um dos sistemas, por exemplo, emite um alerta quando um estudante está precisando de acompanhamento pedagógico, baseado nas suas atividades.

A SGHE, que atuava no Brasil desde 2007, era o braço da Sungard Data Systems para o ensino superior. O fundo Hellman & Friedman, dono da Datatel, comprou a SGHE no fim de 2011, por US$ 1,77 bilhão. A Datatel não tinha negócios no país. Somada, a receita global da SGHE e da Datatel foi de R$ 1,2 bilhão no ano passado. Desse total, 88% vieram das operações nos Estados Unidos; a América Latina respondeu por 6%.

Jorge Green, vice-presidente da ellucian para América Latina, disse ao Valor que o crescimento no Brasil pode alterar essa proporção nos próximos anos. Ele não revela o investimento no país, mas diz que chega "a milhões de dólares".

A companhia abriu um centro de desenvolvimento no Rio Grande do Sul, no início do ano, para adaptar seus produtos ao mercado nacional. Além de traduzir os softwares, é preciso modificar estruturas que variam de um país para outro, como sistemas relacionados a impostos ou regras de governo. Para o caso brasileiro, cerca de 15% do conteúdo precisa de revisão.

A estratégia da companhia não é, necessariamente, fornecer todos os programas de que o cliente necessita, mas acrescentar aos softwares uma oferta de serviços para administrar o ambiente tecnológico da escola. "Não é oferecer tudo, mas ser o gestor de tudo", diz Josiane Morais, diretora de marketing para a América do Sul. Em algumas universidades, a equipe da ellucian é responsável pelos sistemas de gestão, mesmo que os sofwares instalados sejam de um concorrente.

A ellucian prevê uma expansão entre 30% e 40% do número de alunos que estudam nas universidades brasileiras que são suas clientes. Para o presidente da Hoper, Ryon Braga, o potencial é maior: a base pode passar dos atuais 50 mil para 500 mil estudantes em cinco anos. A ellucian responde por sistemas em escolas que atendem a 6 milhões de alunos no mundo, sendo 1,2 milhão na América Latina.

(Felipe Machado | Valor Econômico)

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