Empresas portuguesas investem no Brasil

RIO – O bom desempenho da economia nacional e o aumento da renda dos brasileiros está atraindo empresários portugueses para o país, que tentam escapar dos impactos da crise europeia. A estratégia é expandir os negócios a partir do investimento em empreendimentos de luxo no Brasil.

A rede Tivoli Hotels & Resorts, com 13 unidades em Portugal, já tem um hotel em São Paulo e um resort na Praia do Forte, na Bahia, e está lançando um condomínio residencial turístico. O Tivoli Ecoresidences Praia do Forte fica no mesmo terreno do resort e vai ter 42 casas com preços de R$ 1,39 milhão a R$ 2,35 milhões.

– A localização na Bahia é privilegiada e o Brasil é estratégico para o grupo. A crise impactou os negócios europeus e uma saída é ampliar a atuação em outros mercados, como o brasileiro – afirma Alexandre Solleiro, CEO da rede.

A previsão de faturamento com a venda das casas é de R$ 70 milhões. As obras começam em junho de 2010, com a entrega das unidades em até 30 meses. O diferencial do condomínio é a possibilidade de os proprietários usarem infraestrutura do Tivoli Ecoresort Praia do Forte. A construção do empreendimento vai gerar aproximadamente 250 empregos e deve ter 70% de mão de obra local.

Solleiro contou que 14 unidades já foram vendidas e isso comprova que o mercado brasileiro está aquecido. O executivo explicou que o hotel em São Paulo serve como vitrine da rede portuguesa no Brasil .

– A ocupação de brasileiros nos hotéis de Portugal cresceu, enquanto sentimos uma retração de turistas europeus nos últimos dois anos, por isso estamos focando no Brasil. Além disso, é grande o potencial de aumento de turistas brasileiros – diz.

O executivo destaca que a a Copa do Mundo de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016 no Rio aumentam o interesse pelo destino, mas o grupo ainda avalia o investimento na cidade. Para ele, os benefícios são grandes, mas é preciso estudar se o hotel será sustentável depois dos eventos.

– Queremos estar presentes no Rio durante os eventos, mas temos que pensar no longo prazo. Vimos como aconteceu em algumas cidades sedes de eventos, onde alguns hotéis fecharam depois de um ano, então estamos analisando o mercado antes de decidir – destaca Solleiro.

O chef Joachim Kolper planeja abrir no Rio uma unidade do restaurante Eleven, há seis anos em Lisboa. Para o chef, o Eleven poderia ser aberto no Leblon, em Ipanema ou no Jardim Botânico. O restaurante tem uma estrela no guia de gastronomia Michelin, que ganhou apenas um ano depois da abertura, o que é raro.

– O potencial do mercado brasileiro é muito grande, além de a cidade ter turistas de alto poder aquisitivo. Pretendo abrir o restaurante antes da Copa do Mundo e aproveitar o movimento do evento – conta Kolper.

O empresário conta que o movimento caiu 10% por causa da crise mundial, mas a presença de brasileiros não foi afetada no período. Para ele, os turistas que frequentam o restaurante servem de termômetro para a aceitação no Brasil.

– O cardápio deve ter algumas adaptações, já que no Brasil a diversidade de ingredientes e temperos é muito maior – diz o chef.

De olho no mercado brasileiro e nos turistas europeus, o Six Sense Spa vai abrir duas unidades no Brasil. Em Portugal, o spa fica no Penha Longa Hotel, Spa & Golf Resort e tem outras 27 unidades em operação em locais como China, Grécia e Espanha. Alguns funcionários da unidade portuguesa já foram selecionados e tem transferência marcada para o Brasil.

O projeto prevê a abertura de duas unidades em Alagoas no fim de 2012, com 200 hectares de área. Segundo a empresa, a região tem poucas opções de hotéis de luxo e é um mercado pouco explorado.

Uma das unidades, o Six Senses Latitude, será voltada para famílias, com opções de lazer para crianças. A outra, Six Senses Hideaway, tem foco no turista com maior poder aquisitivo e vai oferecer bangalôs com mordomos e serviços e tratamentos sofisticados.

(Carolina Eloy | JB Online)

 

 

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