Fibria capta R$ 1,45 bi com oferta de ações

A Fibria captou R$ 1,444 bilhão com sua oferta pública de ações. O papel foi vendido a R$ 15,83, pouco abaixo do valor de fechamento da ação ontem na bolsa, de R$ 16, com alta de 6,7% no pregão. Foi a segunda maior valorização do Ibovespa no dia. Foram emitidas 91,2 milhões de ações. A oferta é toda primária, ou seja, os recursos vão para o caixa da companhia.
 
O dinheiro será direcionado ao fortalecimento da posição de caixa da empresa e à redução de seu endividamento. No fim do ano passado, o nível de alavancagem da companhia, medido pela relação entre dívida líquida e resultado operacional antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês), estava acima de quatro vezes, superando limites estabelecidos em compromissos financeiros com credores.
 
Ainda neste ano, a Fibria terá de fazer frente à amortização de R$ 1,09 bilhão em dívidas, dos quais R$ 797 milhões em moeda estrangeira. Ao fim de dezembro – o balanço do primeiro trimestre somente deve ser divulgado em 15 de maio -, a posição de caixa era de R$ 1,846 bilhão. A companhia pretende ainda investir R$ 1 bilhão na operação neste ano.
 
Maior produtora mundial de celulose branqueada de eucalipto, a Fibria está se preparando instalar uma nova linha de produção em Três Lagoas (MS), no segundo semestre de 2014. O projeto, que envolve aporte de R$ 5,8 bilhões, deve ser encaminhado à aprovação do conselho de administração neste ano, porém sua execução levará em conta das condições do mercado de celulose, conforme informação que vem sendo repetida pela direção da companhia.
 
A expectativa é de que o BNDES participe do financiamento do projeto, a despeito do acordo de acionistas que prevê redução gradual da participação do banco de fomento no capital da empresa. Sob os termos do acordo entre Votorantim Industrial (VID) e o banco, de outubro de 2009, quando a antiga Aracruz e a Votorantim Celulose e Papel (VCP) se uniram e deram origem à Fibria, o banco se compromete a manter no mínimo 21% da Fibria pelos três anos seguintes (que se encerra em 2012) e de 11% nos dois anos posteriores.
 
A posição do banco é 30,42% do capital da Fibria, listada no Novo Mercado. A Votorantim detém 29,34%. Os 40,17% restantes estão pulverizados no mercado.
 
Para analistas do setor, a alta de ontem das ações da Fibria reflete também a melhora nas expectativas dos preços da matéria-prima, ao menos no curtíssimo prazo. Em 1º de abril, os produtores de celulose de fibra curta anunciaram novo reajuste, de US$ 30 a tonelada, no mercado asiático. Antes disso, em março, houve outro aumento nos três mercados de referência: Europa, América do Norte e Ásia. Com isso, os preços desse tipo de celulose estão em US$ 670 a tonelada na Ásia, US$ 760 na Europa e US$ 820 na América do Norte.

(Stella Fontes e Silvia Fregoni | Valor)

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