Forno de Minas vende participação à Mercatto

Enquanto se preparava para fazer a foto ao lado, Helder Couto Mendonça, diretor-presidente da Forno de Minas, começou a mexer delicadamente nos pães de queijo da cesta que segurava. "Deixa eu arrumar minhas crianças aqui", disse carinhosamente o empresário mineiro a respeito do produto que, nos anos 90, tornou a Forno de Minas líder desse mercado, com 80% das vendas. Hoje, um ano e três meses depois de recomprar a companhia das mãos da General Mills, a família Mendonça, fundadora da marca, se esforça para recuperar o mercado perdido nos últimos dez anos.

Para isso, a Forno de Minas se mexe reforçando o caixa. A empresa fechou um acordo pelo qual acaba de vender 29,3% de suas ações para o fundo de investimentos Mercatto Capital Partners, com sede no Rio de Janeiro. Essa foi a segunda aquisição da Mercatto na área de alimentos em menos de uma semana e não será a última. Outra aquisição deve ser anunciada em 15 dias, segundo Alcineides Souza Júnior, sócio da Mercatto.

"Com a parceria da Mercatto , teremos R$ 30 milhões para investir em novas linhas de produtos, como tortas, quiches, salgadinhos, principalmente itens voltados para o setor de food service", diz Mendonça. Nem ele, nem a Mercatto revelam qual foi o valor total do negócio. Apenas dizem que o fundo terá representação no conselho de administração da empresa. A meta da empresa – que depois de reaquirida pela família passou a se chamar Forno de Minas Alimentos – é retomar os níveis de produção de 1999, ano em que a Forno de Minas foi vendida para a multinacional americana Pillsbury, adquirida em seguida pela General Mills. "Naquela época, produzíamos 1,6 mil toneladas de pão de queijo por mês, e nosso produto tinha de 20% a 25% de queijo em sua composição", diz Mendonça. "Pouco antes da Generall Mills suspender a operação, eles produziam 800 toneladas mensais e o pão tinha menos de 2% de queijo", conta ele.

Mendonça lembra que na época do encerramento das operações da fábrica, em Contagem (MG), o mesmo advogado que intermediou a venda do negócio para a Pillsbury lhe telefonou. "Ela só queria comunicar a decisão da General Mills, mas acabei fazendo uma oferta para recomprar o negócio", diz Mendonça.

A Forno de Minas foi criada pela mãe do empresário, Dalva Mendonça, em 1990. "Como ela era viúva, quem trabalhava com ela era eu e meus irmãos", recorda o executivo. Ele lembra que o queijo da receita original – o canastra – teve de ser trocado por um pasteurizado, por conta de exigências microbiológicas das autoridades que regulam o setor de alimentos. "Mas a receita não dava certo com esse queijo, por isso nós mesmos começamos a fazer queijos e assim fundamos o Laticínios Condessa", diz ele. Mesmo após a venda para a Pillsbury (depois General Mills), o laticínio continuou fornecendo o produto para a multinacional. Ainda hoje, o Condessa vende queijos para empresas do setor de alimentos. No ano passado, seu faturamento foi de R$ 30 milhões.

Hoje, a Forno de Minas Alimentos está próxima de alcançar as 800 toneladas mensais de pães de queijo, agora novamente com 25% de queijo na fórmula. Até o final do ano, quer chegar a 1 mil toneladas, com vendas de R$ 70 milhões. Em 2011, o plano é atingir R$ 110 milhões. Para isso, a empresa decidiu diversificar. "Forneceremos toda linha de alimentos para cafés e lanchonetes", diz Mendonça.

A Mercatto, que anunciou há três dias a aquisição de 40% da Villa Germania Alimentos, de carne de pato, está otimista com o negócio. "Nossa meta é investir em empresas médias, com faturamento de até R$ 150 milhões, para crescer com elas", diz Souza Júnior. Segundo ele, o próximo alvo da empresa, que estreou com a Villa Germania no setor de alimentos, é se tornar sócio de uma rede de restaurantes do Nordeste do país.

(Lílian Cunha | Valor)
 

 

 

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