Fundo do Banco Modal compra participação na Enesa

Após captar R$ 500 milhões desde seu lançamento no início de maio, o fundo de investimentos em participações em petróleo e gás do Banco Modal acertou sua primeira aplicação. Será na empresa Enesa Participações, que atua na área de montagem de equipamentos para o setor de energia e siderurgia e que está retomando sua atividade na cadeia de fornecedores da Petrobras.

O fundo, denominado Óleo e Gás FIP, vai investir R$ 90 milhões na Enesa, comprando uma participação minoritária no capital da empresa. "A entrada do FIP significa um aumento de capital com o objetivo de reforçar a estrutura de capital da empresa para que ela possa investir e ganhar musculatura", disse John Michel Streithorst, diretor do Banco Modal.

A Enesa foi fundada pelo engenheiro João Laurentys (ex-Tenenge) e, com 33 anos de atuação em construção pesada, tem hoje sete mil empregados e R$ 700 milhões de faturamento anual. E empresa planeja ter de novo a Petrobras em sua carteira de clientes depois de decidir, no início da década passada, se voltar para clientes privados, já que a avaliação na época era de que havia muitas empresas de pequeno porte "penduradas" na Petrobras.

"A Enesa já foi um fornecedor importante da Petrobras, mas no ano 2000 se voltou para o mercado privado", explicou Hermes Eduardo Moreira, presidente da Enesa. A estratégia deu certo. Hoje 97% do faturamento da companhia são gerados em negócios com o setor privado.

Entre seus principais projetos na área de energia estão a instalação de turbinas nas hidrelétricas de Jirau e Estreito, do grupo GDF Suez e Salto do Pilão (associação dos grupos Votorantim, Camargo Corrêa Geração de Energia e a DME Energética). Em siderurgia e mineração, a Enesa foi responsável pela montagem do projeto Alumar, da Alcoa, no Maranhão; e da Companhia Siderúrgica do Atlântico (CSA), da ThyssenKrupp, no Rio.

Segundo Moreira Filho, os recursos do fundo vão "fortalecer a estrutura de capital da Enesa, facilitando a participação da companhia em grandes empreendimentos nos mercados que a empresa atua e na aceleração da atuação no segmento de equipamentos via a Brasil Laurent". O executivo explica que essa empresa, adquirida em 2009, é dedicada ao aluguel de equipamentos para montagem industrial.

"A expectativa é crescer tanto organicamente quanto com aquisições ou parcerias estratégicas, buscando um posicionamento de liderança em alguns mercados", afirmou.

O Óleo e Gás FIP do Modal foi subscrito por nove investidores, sendo os mais importantes, com 20% cada, a Agência de Participações do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDESPar); os fundos de pensão dos funcionários da Caixa Econômica Federal (Funcef), da Petrobras (Petros) e da EletroCEEE (Fundação CEEE). Outros 20% foram subscritos por um grupo de pequenos institutos de previdência, informou Isacson Casiuch, presidente do banco.

O objetivo do FIP é financiar empresas da cadeia de fornecedores da indústria de óleo e gás, preferenciamente da Petrobras. "O fundo surgiu da ideia de que o gargalo de crescimento da Petrobras está na rede de fornecedores, dentro do programa de crescimento com conteúdo nacional", disse Casiuch. O planejamento do Modal é aplicar entre R$ 50 milhões e R$ 100 milhões por empresa ao longo dos próximos quatro anos. O fundo tem oito anos de maturação, o que significa que só depois desse prazo os investidores poderão resgatar o investimento na abertura de capital do empreendimento.
 
(Janes Rocha e Claudia Schüffner | Valor)

 

 

 

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