Fundos levantam R$ 1,8 bi com IPOs

Os fundos de "private equity" têm enfrentado o mau momento da bolsa de valores brasileira e levado adiante os planos de abrir o capital das empresas das quais são sócios. Apesar do desconto pedido pelos investidores, a venda dos papéis nas ofertas públicas iniciais (IPO, na sigla em inglês) proporcionou retornos atraentes aos cotistas.

Apenas este ano, os fundos embolsaram aproximadamente R$ 1,8 bilhão nas aberturas de capital realizadas no mercado brasileiro – o número não inclui a oferta da Arcos Dorados, master-franqueadora do McDonald”s, feita em abril na Bolsa de Nova York e uma das maiores.

Das dez aberturas de capital realizadas na bolsa brasileira até o momento em 2011, seis contaram com a participação de fundos na venda. Além de monetizar o investimento, levar as empresas do à bolsa aumenta a liquidez da posição e facilita a saída futura. Em muitos casos os fundos ficaram nas companhias por quatro a seis anos. Mas há exemplos de investimentos-relâmpago, com saída parcial em menos de um ano.

O maior retorno absoluto foi obtido pela Tarpon, que multiplicou por cinco o valor da participação adquirida no final de 2007 na varejista de calçados Arezzo. Na ocasião, a companhia foi avaliada em R$ 305 milhões e acabou chegando à bolsa valendo R$ 1,68 bilhão. O fundo vendeu parte das ações que detinha por pouco mais de R$ 160 milhões.

A Arezzo realizou a abertura de capital mais bem sucedida do ano, mas, mesmo no caso de ofertas que saíram com dificuldade, os private equity conseguiram obter retorno com o investimento. Foi o caso da Qualicorp, empresa de gestão e venda de planos de saúde que no ano passado recebeu um aporte do Carlyle. Apesar de o preço por ação na oferta ter sido definido abaixo do piso da faixa indicativa, o fundo norte-americano garantiu um ganho de 65% em prazo curtíssimo.

O movimento de venda também pode estar ligado à percepção de que a bolsa ainda encontra-se em níveis de preço elevados. O diretor responsável pelo Carlyle no País, Fernando Borges, havia afirmado, meses antes do IPO da Qualicorp, que considerava a bolsa brasileira cara, o que favorecia quem estava na ponta vendedora.

O retorno obtido com a venda nos IPOs é um sinal de que os fundos têm cumprido o papel de adicionar valor às empresas nas quais investem, diz o presidente da Associação Brasileira de Private Equity & Venture Capital (ABVCAP), Sidney Chameh. Para ele, a decisão de saída das companhias é fruto do ciclo natural de investimento e não está diretamente ligada ao momento da bolsa, segundo Chameh. "Se o fundo consegue uma remuneração atraente no IPO e a empresa ainda tem potencial de crescimento, quem compra também ganha", afirma.

De acordo com a advogada Eliana Chimenti, sócia do escritório Machado, Meyer, Sendacz e Opice, não há uma única razão para a saída dos fundos via bolsa. "Existem desde casos em que o gestor ficou satisfeito com a precificação da empresa até a necessidade de monetização do investimento para os cotistas", diz. A queda recente da bolsa não mudou os planos dos fundos que desejam vender parte das ações das empresas que detêm no portfólio, segundo a advogada. O Machado Meyer trabalha atualmente com 15 processos de oferta, várias das quais contam com capital de private equity. Os fundos também devem atuar ativamente na venda de papéis de empresas que já estão listadas no mercado.

(Vinícius Pinheiro | Valor)

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