Gávea levanta R$ 1 bi em três IPOs

Seis meses depois de o J.P. Morgan comprar 55% do capital da Gávea, a gestora fundada pelo ex-presidente do Banco Central Armínio Fraga se destaca entre os fundos de "private equity" por dois motivos. Desde dezembro, apesar do cenário difícil para as ofertas de ações, a Gávea levantou R$ 1 bilhão com três aberturas de capital em bolsa, dinheiro distribuído a seus cotistas. Apesar de isso não significar que só há casos de sucesso em carteira, a Gávea é a gestora de fundos de private equity que mais levantou recursos na bolsa de valores nos últimos meses.

Ao mesmo tempo, está captando seu quarto fundo de investimentos em participações, que deve alcançar, no mínimo, R$ 1,5 bilhão, segundo dados da Comissão de Valores Mobiliários.

Na operação mais recente, a da rede de franquias do McDonald”s – a Arcos Dorados -, a Gávea levantou R$ 876,4 milhões na Bolsa de Nova York. A demanda pelas ações superou em dez vezes a oferta, o que fez o preço máximo do papel subir de US$ 15 para US$ 17, algo que, segundo o jornal britânico "Financial Times", não acontecia desde meados de 2007, época em que os mercados viviam farta oferta de crédito. Liderada pelo argentino Woods Staton, a holding foi criada em 2007 a partir da compra de 1.600 lanchonetes latino-americanas do McDonald”s.

No Brasil, a Gávea participou de duas das mais demandadas ofertas de ações recentes: a rede de farmácias Raia e a empresa de entretenimento Time For Fun (T4F). No caso desta última, os ganhos da gestora foram impulsionados por uma opção de compra que a Gávea exerceu dias antes de a empresa iniciar a oferta. Por 3,5% do capital da companhia, o fundo pagou R$ 1. O motivo, segundo documentos entregues à CVM, é o fato de a T4F não ter atingido as metas de lucratividade previstas inicialmente pela Gávea. Dias depois, essa mesma fatia foi vendida na oferta por R$ 32 milhões.

As companhias que a gestora está levando à bolsa são de uma safra de investimentos feitos pelos fundos um e dois entre 2007 e 2008. "Procuramos ficar de três a quatro anos nas empresas antes de abrir o capital delas em bolsa. Queremos que elas cheguem bem preparadas. Não somos um fundo pré-IPO", diz Christopher Meyn, gestor da Gávea, referindo-se às ofertas iniciais de ações, IPOs, em inglês. Exceção feita, segundo Meyn, aos casos em que as companhias precisam de capital para começar a operar, como o ocorrido com a petrolífera OGX.

A Raia, desde a estreia em bolsa até ontem, acumula alta de 4,9%. A T4F, e sete pregões, tem baixa de 4%. Já a Arcos Dorados sobe 38,6%.

Além das ofertas, a gestora levantou outros R$ 42 milhões em dezembro e janeiro, com vendas na bolsa de ações da Magnesita. A Gávea reduz sua exposição a esse papel desde março de 2010.

A lista de abertura de capital de empresas da carteira da Gávea deste ano não deve parar por aí. Segundo o Valor apurou, a próxima candidata é a aérea Azul, na qual a Gávea comprou uma participação em 2008 e que também pertence ao fundo dois. É uma operação com a qual a gestora espera deixar mais distante o fracasso do investimento na BRA, companhia que foi à bancarrota e é tida como o pior caso do currículo da gestora. Executivos do mercado também comentam que a editora Santillana deve entrar na fila em breve. Ao todo, a Gávea tem em seu portfólio de private equity 20 empresas, avaliadas em R$ 5 bilhões.

Ao mesmo tempo em que se desfaz de alguns investimentos, a gestora se prepara para comandar novos aportes. O volume de recursos captados pelo novo fundo deve ultrapassar o R$ 1,5 bilhão registrado na CVM, já que a gestora costuma deixar no exterior parte dos recursos levantados com investidores. A sociedade com a Highbridge, gestora de ativos alternativos do J.P. Morgan, também deve impulsionar a captação. O último fundo da Gávea alcançou US$ 1,2 bilhão (R$ 1,9 bilhão). A nova captação não é comentada pela gestora.

(Carolina Mandl e Ana Paula Ragazzi | Valor)

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