Grupo BTG Pactual se associa à Rede D’Or para fazer aquisições

De olho no processo de consolidação do setor de hospitais no Brasil, o grupo BTG Pactual e a carioca Rede D ” Or, a maior rede independente (sem ligação com planos e saúde) de hospitais privados do Brasil, fecharam parceria para investir em conjunto. O formato da associação foi a subscrição de debêntures conversíveis em ações da Rede D ” Or pelo BTG Pactual, por intermédio de sua área de merchant banking, voltada para investimentos produtivos.

O valor da operação não foi revelado, mas Carlos Fonseca, diretor do Pactual para a área, disse que não faltará dinheiro para a Rede D ” Or fazer as aquisições que considerar necessárias. José Roberto Guersola, vice-presidente da Rede D ” Or, disse ao Valor que os alvos mais próximos na mira do grupo estão em Brasília e no ABC Paulista, neste, prosseguindo o processo de consolidação iniciado no mês passado com a compra do Hospital Brasil (249 leitos) em Santo André.

Segundo Fonseca, o formato da operação prevê uma segunda rodada de injeção de recursos caso haja mais oportunidades de aquisições após o esgotamento desse primeiro fôlego. Ele justificou o segredo quanto ao valor da subscrição afirmando que a disputa pela consolidação na área de hospitais está renhida e que revelar os números seria expor o "poder de fogo" da nova parceria para os concorrentes. O diretor do BTG Pactual disse apenas que a conversão das debêntures em ações não seria suficiente para dar ao Pactual o controle do capital da Rede D ” Or. Até agora, a investida mais próxima da área de saúde feita pelo banco havia sido a compra da rede de drogarias Farmais, em 2009

A Rede D ” Or, que no ano passado faturou R$ 1,15 bilhão (15% mais que em 2008), possui 14 hospitais próprios, em parceria ou sob gestão, sendo 10 no Rio, 3 em Recife e 1 em Santo André (SP), além de 46 unidades de diagnóstico (rede Labs D ” Or) no Estado do Rio de Janeiro e em Curitiba. Guersola disse que além do mercado paulista, onde a rede acaba de entrar, e do de Brasília, há interesse em expandir os negócios em Recife.

Independentemente das novas aquisições, a Rede D ” Or deverá inaugurar este ano um grande hospital em Cascadura, zona norte do Rio, e já tem projetados outros dois, em Duque de Caxias (Baixada Fluminense) e Niterói (região metropolitana do Rio).

Outra prioridade do grupo é a compra do Hospital Samaritano do Rio, considerado um centro de excelência da capital fluminense voltado para o público de maior renda. As negociações foram recentemente interrompidas, mas Guersola disse que contar com um hospital de ponta no grupo é tão importante que se não for possível a compra do Samaritano, o grupo vai construir um em um terreno já existente em Copacabana.

Fonseca, do BTG Pactual, disse que a escolha da Rede D ” Or como porta de entrada do grupo no setor hospitalar deveu-se, entre outros aspectos, à constatação de que se trata de uma rede de alta qualidade, bem posicionada nos principais mercados, com executivos preparados e com foco na gestão.

A Rede D ” Or foi criada pelo médico carioca Jorge Moll, seu presidente e principal acionista. O primeiro hospital, o Barra D ” Or, foi inaugurado em 1998. O grupo não possui plano de saúde próprio e pretende manter-se apenas como prestador de serviços aos planos existentes no mercado. Uma das suas características operacionais é a de manter sempre médicos nos seus principais cargos administrativos. Guersola disse que é relativamente fácil treinar um médico em práticas administrativas, mas "é praticamente impossível treinar um administrador em medicina", conhecimento essencial para manter a qualidade dos serviços.
 
(Chico Santos | Valor)

 

 

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