Grupo Pearson, dono do “Financial Times”, vai disputar a brasileira Anglo

O grupo Pearson, dono do jornal "Financial Times", está disputando, com outros dois investidores, a brasileira Anglo, conhecida por seus cursos preparatórios para faculdades, sistemas de ensino e treinamento de professores. Anglo informou que não está à venda, mas fontes disseram que o Credit Suisse avaliou a operação em R$ 600 milhões e que ofertas, abaixo dos R$ 600 milhões, devem ser feitas nas próximas semanas, o que indica que o negócio pode não ser fechado.

O grupo Abril, dono das revistas "Veja" e "Exame", e a editora espanhola Santillana seriam os outros interessados. O vencedor do "leilão" poderia exportar o sistema. Em entrevista ao Valor, em abril, Guilherme Faiguenboim, principal acionista do Anglo, disse que o grupo paulista estava em conversações com instituições estrangeiras e nacionais. A preferência, revelou na ocasião, era se associar a um grupo internacional para que o Anglo pudesse levar seu sistema para a América Latina e EUA.

Pearson e Santillana não quiseram comentar a informação e o grupo Abril não foi encontrado. O grupo Pearson deve receber cerca de US$ 2 bilhões, sem descontar impostos, da venda da Intercative data Corporation. Marjorie Sacardino, CEO do grupo Pearson, disse que os recursos seriam usados em investimentos orgânicos e aquisições, especialmente em mercados emergentes, onde a receita do grupo cresceu de US$ 304 milhões para US$ 648 milhões desde 2005.

A companhia tem estado perto de fechar outra grande aquisição no Brasil, dizem fontes próximas. Pearson e outros investidores vêm conversando sobre comprar ou investir no Sistema Educacional Brasileiro (SEB), que controla escolas e fornece sistemas de ensino. A SEB tem valor de mercado de R$ 715 milhões. Mas, segundo as fontes, o CEO e maior acionista da SEB, Chaim Zaher, estava indeciso quanto à estrutura de eventual acordo. Pearson tem evitado operações em que fique minoritário.

Fundos "private equity" também têm mostrado interesse pelo mercado de ensino brasileiro. KKR está presente no Brasil através da Laureate Education, que comprou em 2007 por US$ 3,8 bilhões, e o Advent International em 2009 investiu no Kroton, que oferece cursos de educação.

(Helen Thomas e Andrew Edgecliffe-Johnson, Financial Times, de Nova York | Valor)
 

 

 

 

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