Há um ano no mercado, Eudora tem planos ousados

Em meio às investidas de gigantes internacionais no mercado brasileiro de cosméticos, a Euroda, unidade de negócios do Grupo Boticário, completa seu primeiro ano com metas ousadas. A empresa pretende ampliar seu faturamento em três dígitos ainda em 2012 e quer se tornar a terceira maior marca de produtos de beleza no segmento de venda direta, atrás da Natura e Avon, nos próximos anos. Sem abrir números, o diretor-executivo da companhia, Claudio Oporto, afirma que os resultados obtidos em 2011 superaram as expectativas traçadas para o período e ressalta que a Eudora conta com boas vantagens competitivas para se destacar entre os concorrentes.

"Sabemos muito mais sobre as mulheres brasileiras, em especial o grupo que é nosso público-alvo, do que nossos competidores estrangeiros, o que aumenta nossa capacidade de criar produtos que agradem a elas", observa, com base na experiência de mercado acumulada pelo Grupo Boticário durante quase 30 anos de atuação no setor.

O executivo afirma ainda a plataforma de negócios ancorada no tripé varejo, venda direto e comércio virtual, é outro diferencial que ajudará a Eudora a galgar posições no mercado brasileiro. "Os três canais de comercialização são conectados e têm o mesmo peso no plano de negócio da companhia", explica. Oporto esclarece, contudo, que o sistema porta-a-porta é o que mais contribui para a receita da empresa. Segundo ele, a equipe de revendedoras da marca já ultrapassa a casa dos cinco dígitos e atende às regiões Sul, Sudeste e Nordeste. A meta, afirma, é que a força de vendas passe a atuar também no Norte e Centro-Oeste do País ainda este ano.
 
Com menor porte, a cadeia de lojas físicas da Eudora cobre oito capitais nacionais (São Paulo, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, Recife, Fortaleza, Curitiba, Salvador, Porto Alegre) por meio de 14 lojas. O número impõem uma distância considerável em relação ao tamanho da estrutura da O Boticário, que possuiu 3.220 unidades de venda espalhadas por 1.640 municípios brasileiros e também conta com operações em outros 8 países (Portugal, Estados Unidos, Japão, Angola, Moçanbique, Arábia Saudita, Venezuela e Paraguai).
 
Oporto salienta que não aproveitar a rede da O Boticário para disseminar os produtos da Eudora foi uma decisão estratégica. "Optamos por não misturar as duas marcas, que têm propostas de valor e públicos-alvo diferentes, para não confundir os consumidores. Se tivéssemos feito isso, as clientes acabariam pensando que éramos apenas uma linha dentro da O Boticário", explica.

A proposta da Eudora é estender a rede de lojas próprias para as demais capitais brasileiras, além das maiores cidades do País, no médio prazo. Oporto afirma que o projeto de expansão será financiado pelo grupo Boticário. "Investimento não é problema, visto que a capacidade líquida de geração de caixa do grupo é bastante forte", afirma. Ele frisa que, com a saúde financeira em bom estado, os controladores não têm planos de abrir capital. "Não vemos a necessidade de ir à mercado buscar recursos", aponta.
 
Em relação às grandes marcas nacionais, Oporto avalia que o parque fabril e a estrutura logística da companhia serão importantes para colocar a empresa à frente das rivais. "A Eudora nasceu sobre uma base tecnológica e logística que está pronta para acomodar o projeto de expansão desenhado, evitando que a companhia sofra com os problemas enfrentados pelos competidores", salienta.
 
Uma das concorrentes mais fortes da Eudora, a Natura passou por sérias dificuldades operacionais no ano passado, enquanto tentava tocar o processo de reformulação de suas plataformas de logística e de produção, processo iniciado em 2010. Oporto, cujo currículo inclui um cargo executivo na empresa, afirma que os problemas que atingiram a rival e outras companhias do ramo ocorreram porque "o mercado cresceu acima das projeções traçadas por elas".

Ele lembra que a Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos (Abihpec) estima que o setor crescerá de 10% a 12% este ano, ante a faixa de 8% a 9% projetada para 2011. As previsões favoráveis tornam o cenário mais desafiador para a Eudora, na medida em que acaba estimulando gigantes estrangeiras a continuar investindo pesado para ampliar a atuação no País.

A alemã Nivea, por exemplo, dobrou o tamanho da operação brasileira nos quatro anos até 2010 e pretende expandir as vendas locais a taxas anuais de 15% no intervalo de 2011 a 2015. Além disso, a Sephora, varejista de cosméticos e perfumes do grupo francês de bens de luxo LVMH, planeja desembarcar oficialmente no Brasil, com a abertura de cinco lojas, ainda em 2012. Também no período, a empresa pretende mudar o nome da Sack’s, adquirido pela estrangeira em 2010, para Sephora.

Enquanto isso, o portfólio da Eudora conta com 216 produtos, número que, segundo Oporto, será dobrado em 2012. Os itens são fabricados do Grupo Boticário em São José dos Pinhais (PR), com exceção de uma linha de maquiagem, que é importadas dos Estados Unidos, Itália e Alemanha.

(Maria Carolina Ferreira | Jornal do Commercio)

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