Ideiasnet muda o foco de atuação

A Ideiasnet quer se transformar em uma gestora de fundos de investimento em participações (FIP) listada em bolsa, seguindo um modelo já implantando por GP Investments e Tarpon.

A Ideiasnet foi criada como uma incubadora em 2000, em meio à bolha da internet. Na prática, é uma empresa que compra participações diretas em outras companhias do setor de tecnologia de forma direta, não por meio de fundos. Agora, os 17 investimentos feitos pela Ideiasnet estão sendo transferidos para um FIP recém-criado e novos fundos devem ser lançados.

O objetivo da mudança é dar mais visibilidade ao negócio de gestão, ao mesmo tempo em que cria uma nova fonte de receita para a Ideiasnet com a cobrança de taxas de administração dos fundos. Além disso, a reestruturação vai passar a permitir que a Ideiasnet faça a gestão de recursos de terceiros. Atualmente, ela só investe recursos próprios.

"Somos poucos vistos como gestores, e esse é um negócio que requer escala, por isso pretendemos crescer. Até hoje, as empresas nas quais investimos apareceram mais do que a gestão que fazemos nelas", diz Luis Reátegui, presidente da Ideiasnet.

Hoje, por exemplo, os relatórios feitos pelos analistas que cobrem a ação levam mais em conta o desempenho das companhias investidas do que a capacidade de administração da Ideiasnet, como se ela fosse uma holding.

Isso porque o faturamento da Ideiasnet vem da receita das empresas nas quais investe, não da atividade de gestão, como ocorre com GP e Tarpon. O maior investimentos é a Officer, 100% controlada pela Ideiasnet e que nos nove primeiros meses de 2009 faturou R$ 608 milhões, enquanto a Ideiasnet teve uma receita bruta de R$ 734 milhões e um prejuízo de R$ 703 mil.

Para engordar o portfólio, o foco da Ideiasnet é fazer o investimento e a administração de empresas de tecnologia em estágio inicial, o chamado venture capital. É uma etapa anterior àquela dos aportes feitos pelos private equities.

A empresa investiu recentemente R$ 2 milhões no Fundo de Capital Semente do Recife, em parceria com o Centro de Estudos Avançados de Recife (Cesar), com a FIR Investimentos e com a Finep. Com um patrimônio de R$ 20 milhões, o fundo vai comprar participações em empresas do Porto Digital, polo de tecnologia da capital pernambucana.

Outro negócio que está em andamento envolve o fundo MPVTech, gerido pela Rio Bravo. A Ideiasnet pode vir a comprar as cotas do fundo ou as participações que ele detém em sete empresas, com um patrimônio de R$ 20 milhões. Uma das estratégias em análise, segundo o Valor apurou, é promover a fusão de empresas que já estejam na carteira da Ideiasnet com outras do MPVTech.

Daqui para a frente, a Ideiasnet também deve acelerar as operações de desinvestimento, que caracterizam a realização de lucro ou prejuízo na indústria de private equity e venture capital. Até hoje, apenas a Braspag, processadora de operações de comércio eletrônico, foi vendida em junho deste ano, para o grupo Silvio Santos. Uma das próximas candidatas é a distribuidora de produtos de informática Officer, que faturou R$ 600 milhões nos primeiros nove meses de 2009. "Esse é um investimento considerado maduro, apto para sair do portfólio", diz Reátegui.

(Carolina Mandl – Valor Econômico)

 

 

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