IP investirá US$ 90 mi para gerar mais energia

A International Paper (IP) anuncia hoje o maior investimento da gestão de seu presidente no Brasil, Jean-Michel Ribieras, que chegou ao Brasil no início de 2010. Serão mais de US$ 90 milhões direcionados para o crescimento da geração própria de energia. A ideia é elevar a autossuficiência energética e reduzir os custos das operações da multinacional americana no país.

Os recursos serão aplicados na construção de uma nova caldeira de biomassa na unidade produtora de papel e celulose de Mogi Guaçu, no interior de São Paulo. O projeto foi aprovado pelo conselho de administração da empresa na semana passada, depois de dois anos de sua apresentação interna.

"A primeira razão para instalação dessa nova caldeira é a redução de custos e a nossa estratégia ambiental e florestal", afirmou ao Valor Ribieras, que assumiu o comando da subsidiária no Brasil em 1º de janeiro do ano passado. "Esse é o primeiro investimento grande que fizemos no país desde quando entrei", completou o executivo.

A nova caldeira – a maior do sistema IP no Brasil – terá capacidade de gerar 210 toneladas de vapor por hora. Isso é o equivalente, em energia, para abastecer cerca de 40 mil residências. Com essa produção, a empresa afirma que terá 90% de autossuficiência da energia consumida em toda a sua operação no país.

O sistema de consumo de energia da fabricante de papel envolve, além da eletricidade, petróleo, gás e carvão, energia de biomassa e a de recuperação.

A geração da energia de biomassa utiliza os resíduos de madeira de eucalipto plantado. Já a energia de recuperação é produzida com o licor negro, que sobra da madeira que não é utilizada na produção de celulose e papel. Essas duas formas de produção próprias de energia representavam – antes do investimento anunciado hoje – 75% do consumo total de energia da IP Brasil.

Até agora, a empresa tinha três caldeiras de recuperação (duas na fábrica de Mogi Guaçu e uma na unidade de Luiz Antônio, SP) e três de biomassa (uma em Mogi e duas em Luiz Antônio). Vale lembrar que as caldeiras na unidade de Três Lagoas (MS) são da Fibria – fabricante de celulose do grupo Votorantim e BNDES -, fruto de uma acordo entre as duas empresas.

As obras da caldeira começam em abril e ela deve entrar em operação no primeiro trimestre de 2013. No pico da construção, o projeto vai envolver mais de mil trabalhadores. "É um investimento grande", diz Ribieras, lembrando que os US$ 90 milhões a serem aplicados ao longo de dois anos representam cerca de um terço do que foi gasto na instalação de toda a fábrica de papel de Três Lagoas.

O foco da empresa está voltado na redução dos custos totais. Segundo o executivo, os gastos de uma companhia produtora papel e celulose com energia, em geral, podem representar até 30% dos seus custos totais. Ribieras, no entanto, não informa quais seriam as economias que o novo investimento traria para as operações brasileiras da IP. "Serão (as economias) significativas", resume.

Segundo o executivo, a escolha dos fornecedores contratados para a execução do projeto ainda está sob avaliação.

A capacidade de produção de papel da International Paper no Brasil soma 1 milhão de toneladas por ano. A produção de celulose, por sua vez, tem capacidade de 810 mil toneladas – praticamente toda voltada para o consumo interno na produção de papel.

No ano passado, a subsidiária brasileira acumulou uma receita de US$ 1,089 bilhão, um avanço frente aos US$ 962 milhões registrados em 2009. Os investimentos da empresa em 2010, por sua vez, somaram US$ 88 milhões.

(Vanessa Dezem | Valor)

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