JHSF estuda compra de parte do Shopping Higienópolis

A disputa judicial que envolve os sócios do Shopping Patio Higienópolis, na zona oeste de São Paulo, deve abrir espaço para uma mudança no grupo de controladores do empreendimento. A JHSF Shoppings tem interesse em adquirir uma participação no shopping e já esteve em conversas com a Fundação Conrado Wessel há cerca de um mês e meio, para tratar da questão, apurou o Valor com pessoas próximas à negociação. A fundação controla 17% do Higienópolis I (o primeiro prédio inaugurado) e 21,37% do Higienópolis II (o prédio expandido) e já teria sinalizado que aceita avaliar uma oferta. As empresas não se manifestaram sobre o assunto.
 
O que ocorre é que a JHSF pode ganhar a concorrência para administrar o Higienópolis, num processo de avaliação feito com outras três empresas há cerca de três semanas. Para a empresa, entretanto, não interessa apenas fazer a gestão do negócio, mas ter uma participação no empreendimento. As grandes companhias do setor administram os shoppings em que são acionistas. A JHSF controla cinco shoppings e um outlet.
 
A companhia avalia, inclusive, a possibilidade de se tornar majoritária no Higienópolis e para isso, pode abrir negociações com outros acionistas. A empresa não comentou o assunto. O controle do shopping é pulverizado – sete acionistas, entre empresas privadas e fundos controlam o empreendimento. Além da fundação, são acionistas o Fundo de Investimento Imobiliário Pátio Shopping Higienópolis (da Rio Bravo), Braz Participações, Niko Administradora de Bens, Agropart Agropecuária e Participações e Artwalk Administradora de Bens e Brookfield.
 
O interesse da JHSF surge num momento em que há um racha entre os sócios. Portanto, caso as conversas avancem, o negócio pode enfrentar problemas para ser fechado. A questão é que a maior acionista individual, a Brookfield, com mais de 30% do controle, foi destituída da gestão do Higienópolis no dia 12 de dezembro, segundo decisão tomada em assembleia dos controladores.
 
O caso foi parar no Tribunal de Justiça de São Paulo, depois que a Brookfield entrou, em 19 de dezembro, com ação cautelar na 26ª Vara Cível, do Fórum João Mendes, para suspender os efeitos da decisão de tirá-la da gestão. Os controladores têm críticas à gestão e consideravam elevada a taxa de administração cobrada pela Brookfield.
 
A questão está na Justiça, e ganhou tamanho nos últimos meses. A Brookfield quer invalidar uma assembleia de acionistas, ocorrida no dia 2 de maio, que apresentou os quatro nomes (incluindo a JHSF) de gestores interessados na administração do shopping. Para essa votação, seria preciso 80% dos votos, segundo a cláusula da convenção, e a Brookfield, com 30%, não esteve na assembleia. "A questão é que como eles tem 30% e só se muda com 80%, nada nunca vai mudar", afirma um dos sócios.
 
O pano de fundo desse embate judicial pesaria numa eventual mudança no controle do Higienópolis, já que eventuais negociações podem acontecer num clima nada bom entre os atuais acionistas. A Brookfield já teria conhecimento do interesse da JHSF em ser sócia do Higienópolis. E uma fonte próxima à Brookfield comenta que o acordo de acionistas determina que o maior sócio individual tem direito de preferência na compra. Com isso, seria preciso passar antes pela Brookfield.
 
Para a JHSF, que só teria procurado a Fundação Conrado Wessel há menos de dois meses, o shopping tem uma importância estratégica. O Higienópolis é avaliado como um dos melhores shoppings de São Paulo em termos de venda por metro quadrado.

(Adriana Mattos | Valor)

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