Marquise planeja expansão e novas frentes de negócios

Fundado no Estado do Ceará, o grupo Marquise está empenhado em cumprir seu plano estratégico e atingir seu primeiro bilhão de faturamento até 2014. Para alcançar a meta, a companhia precisará alçar voo e expandir sua área de atuação, hoje concentrada no Nordeste. Composto por dez empresas, o grupo tem como focos principais as áreas imobiliária, de engenharia de infraestrutura e de serviços ambientais.
 
Responsável por 60% da receita do grupo, o segmento de serviços ambientais deverá se diversificar. Com atuação em coleta, tratamento e limpeza urbana de 17 cidades, a Marquise pretende agora entrar no mercado de água e esgoto para crescer no segmento ambiental.
 
"A área de saneamento do Brasil é extremamente promissora, há uma carência muito forte", afirmou, em entrevista ao Valor, o diretor operacional da Marquise, Hugo Nery.
 
A empresa estuda atuar em cidades em que o sistema de água e esgoto ainda está sob responsabilidade das prefeituras, com atenção especial à Bahia e às regiões Sudeste e Norte, onde já opera de forma modesta no segmento de resíduos. A ideia é se concentrar em municípios com mais de 200 mil habitantes. Parcerias público-privadas (PPPs) com a Sabesp também estão nos planos.
 
Atualmente, o grupo atende 7 milhões de pessoas na parte de serviços ambientais. E depois dos R$ 382 milhões obtidos em 2011, o grupo planeja alcançar faturamento de R$ 450 milhões com esse segmento neste ano.
 
Segundo Nery, a Marquise tem conversado com empresas internacionais para estabelecer parcerias e também tem se aproximado de fundos de investimentos para garantir o capital necessário para os próximos desembolsos.
 
"Associar-se a parceiros é um caminho natural, numa área que demanda investimentos altos. Estamos conversando com grandes grupos que já atuam na área, mas esse não é um trabalho para este ano", comenta o diretor.
 
A Marquise atua neste momento de olho nas novas tecnologias de gestão de resíduos, diante da mudança da legislação brasileira. A Lei n 12.305, que instituiu a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) em 2010, tem entre seus principais aspectos a proibição da utilização dos lixões para descarte de resíduos a partir de 2014.
 
"Queremos passar de geradores de lixo a geradores de matérias-primas. Esse é um caminho sem volta. Haverá uma mudança de comportamento, que não vai ocorrer do dia para a noite, e só irá para um aterro o que não tem mais uso", explica Nery.
 
A ideia é transformar o lixo em energia e, para isso, a Marquise desenvolve estudos, há seis anos, atenta a uma solução técnica para essa nova demanda.
 
Ainda que admita se tratar de uma tecnologia cara, com um investimento que não geraria retorno no curto prazo, Nery avalia que ela será viável dentro de aproximadamente quatro anos.
 
O executivo calcula que os investimentos no projeto de geração de energia podem chegar a US$ 100 milhões e, portanto, o grupo negocia uma parceria com três empresas estrangeiras que poderão entrar no negócio como fornecedores ou investidores.
 
Apesar da tendência de consolidação do setor em grandes grupos e da maior concorrência inclusive na região Nordeste, a Marquise não tem histórico de aquisições e não mostra planos de curto prazo neste sentido.
 
Sob o comando dos engenheiros José Carlos Valente Pontes e José Erivaldo Arraes, o grupo começou as operações em 1974, por meio de sua construtora. Além da área de serviços ambientais, a Marquise atua nos segmentos de engenharia de infraestrutura, incorporação imobiliária, finanças, hotelaria, comunicação e shopping center.
 
"Temos pretensões de alcançar um crescimento bem forte. De 2008 para 2011, tivemos expansão anual de cerca de 30% e, neste ano, queremos crescer 25%. O grande alvo é chegar a R$ 1 bilhão até 2014", afirma Carla Pontes, diretora-geral da holding do grupo Marquise.
 
Neste ano, o faturamento do grupo deve ficar entre R$ 800 milhões e R$ 850 milhões.
 
Segundo Carla, principal executiva da Marquise, apesar da maior relevância da área ambiental, é a parte de engenharia de infraestrutura que detém o maior crescimento no grupo. E o investimento no setor de shopping também está se destacando, com a atração de R$ 180 milhões dos R$ 230 milhões previstos para serem investidos neste ano.
 
Em fase de desenvolvimento, o Shopping Parangaba, localizado em Fortaleza (CE), deve entrar em operação em outubro de 2013 e Carla assinala que 75% do projeto já foi comercializado.
 
Filha de José Carlos Valente Pontes, a herdeira mostra que o grupo vai na direção contrária dos concorrentes e não tem planos de recorrer ao mercado de capitais, ainda que adote um modelo de gestão profissionalizada e tenha governança corporativa.
 
"Estamos fazendo um trabalho neste ano de estruturação da empresa para se, eventualmente, acharmos uma opção de parceria com algum fundo de investimento, estarmos preparados", conta.
 
E apesar de responder pelo grupo, Carla destaca que não há ainda uma definição de sucessão para a Marquise. "O que está claro é que ela será profissional".

(Beatriz Cutait | Valor)

 

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