Melitta põe na rua plano de elevar vendas a R$ 1 bilhão

Dona da segunda marca de café mais consumida no Brasil, a alemã Melitta começa neste ano a colocar em prática um dos seus planos mais audaciosos. Nos próximos sete anos, a subsidiária brasileira pretende elevar em mais de 50% seu faturamento no país e entrar para a lista de empresas com vendas da ordem de R$ 1 bilhão. Com a estratégia, que prevê ampliar a presença de suas marcas no mercado, a Melitta deve acirrar a disputa no mercado nacional com a Sara Lee, dona das marcas Pilão – líder no mercado doméstico -, Café do Ponto e Seleto.

Para isso, o grupo alemão precisará crescer em média 7,2% ao ano até 2017, abaixo do desempenho registrado pela empresa no ano passado. Em 2009, a empresa teve um faturamento de R$ 665 milhões, crescimento de 11% em comparação ao resultado de 2008 e acima do mercado nacional, que avançou 4%. Desse total, 65% foram provenientes da venda de café, 30% de acessórios, como coadores de papel, suporte para coador e jarras e 5% de papéis industriais.

Com isso, a subsidiária do Brasil se consolida como a segunda mais importante do grupo, atrás apenas da Alemanha, com uma participação de 19% do faturamento global, que foi de € 1,2 bilhão em 2009.

"O crescimento do ano passado foi o sétimo consecutivo, mesmo dentro de um ambiente de crise que ainda estava no ar", diz Bernardo Wolfson, presidente da Melitta do Brasil. Segundo ele, a projeção para 2010, por enquanto, é de um crescimento de 6%, baseado no aumento da participação da marca Melitta, que ainda tem presença pequena em alguns mercados, e na expansão geográfica da marca Bom Jesus, adquirida em 2006, e que também deve se tornar nacional.

Além do trabalho para aumentar da presença das marcas Melitta e Bom Jesus no mercado, Wolfson não descarta a possibilidade de nova aquisições para reforçar a expansão. Ele disse, porém, que não existe negociação em andamento com nenhuma empresa atualmente e que não deve haver aquisição este ano.

No foco da Melitta estão dois dos mercados em que o consumo cresce consideravelmente, mas onde a empresa tem uma presença ainda tímida. Nos Estados do Centro-Oeste e do Nordeste deve ocorrer a maior parte do crescimento do grupo no Brasil nos próximos anos, inclusive eventuais aquisições de marcas e empresas. "Quando compramos a Bom Jesus no Rio Grande do Sul, percebemos que existia um outro paladar para o café e isso pode ocorrer em outras regiões. Além disso, talvez seja preciso aumentar nossa operação logística até 2017, já que hoje temos nove centros de distribuição", afirma.

Para sustentar esse crescimento, a Melitta elevará em mais de 70% seus investimentos em ativos. No ano passado foram aplicados R$ 7 milhões para aquisição de equipamentos e modernização das unidades de produção e neste ano o desembolso será de pelo menos R$ 12 milhões para expandir a capacidade de produção de suas três unidades de produção – Avaré (SP), Guaíba (RS) e Bom Jesus (RS). "Estamos muito otimistas com o crescimento econômico do Brasil e com o setor de café. Sabemos que o Brasil será uma das maiores economias do mundo e queremos participar disso", diz o presidente.

(Alexandre Inacio | Valor)

 

 

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