Mercado global de IPOs cai 46% no 3° trimestre, diz Ernst & Young

Com o cenário econômico emperrando boas apostas para o mercado acionário, a atividade de IPOs (Initial Public Offering, na sigla em inglês) no mundo desacelerou acentuadamente no terceiro trimestre desse ano, mas há sinais de melhoras para os próximos meses, aponta o relatório Global IPO Update, elaborado pela Ernst & Young. No período, foi movimentado US$ 24,1 bilhões, uma diminuição de 46% no capital levantado em comparação com o trimestre passado, de US$ 44,3 bilhões.
 
Em número de operações, foram 165 IPOs no mundo nesse trimestre, uma queda de 33% no comparação com o trimestre anterior, com 248. Já em relação ao mesmo período do ano passado, essa queda foi de 43%, com 291 IPOs.

Entre os setores, o mais ativo foi o industrial, que movimentou US$ 10,6 bilhões em 29 negócios, se beneficiando claramente dos pacotes de estímulos lançados pelos principais governos do mundo, mostra o relatório. Já o segundo lugar  ficou com o setor de saúde, com movimentação de US$ 2,7 bilhões em oito operações, seguido por materiais, com US$ 2,3 bilhões e 27 procedimentos.
 
Ásia abocanha maior parcela de IPOs
Quem mais chamou a atenção nesse cenário foi o mercado asiático, que representou 76% do volume de capital levantado de IPOs no mercado mundial, com 102 operações, totalizando US$ 18,3 bilhões, mas quando comparado o trimestre anterior o número de negócios caiu, enquanto registrou um crescimento em termos de captação. No terceiro trimestre de 2011, foram realizados 136 IPOs, com movimentação de US$ 13,4 bilhões.
 
A movimentação de foi alavancada em boa parte pelo IPO de US$ 8,5 bilhões da Japan Airlines, que representou 35% do valor global total. As três principais bolsas de valores em termos de capitais levantados foram a de Tóquio, a de Shenzhen (com 35 IPOs, US$ 2,8 bilhões ou 12% do total) e a da Bursa Malásia (com 4 IPOs, US$ 2,4 bilhões ou 10% do total).
 
“Embora a atividade da China e em Hong Kong tenha caído no trimestre, em conjunto com o declínio do crescimento econômico global, alguns mercados, como a Malásia e Cingapura, estão muito ativos, e alguns setores como mineração, indústria e saúde estão realizando IPOs”, afirma Maria Pinelli, líder global para mercados estratégicos em crescimento da Ernst & Young.
 
Somente a Ásia possui cerca de 200 companhias registradas para IPOs – o que representa mais da metade do mundo todo.  “Tivemos baixa atividade nos últimos meses, assim como adiamentos de registros de emissões importantes neste trimestre. No entanto, com um grande negócio nas últimas duas semanas e dois negócios de mais de US$ 1 bilhão que devem ocorrer em breve, acreditamos que a confiança do investidor retornará de forma significativa no próximo trimestre”, disse Maria.
 
Dificuldades econômicas na Europa ainda atrapalham mercado
Do outro lado, o mercado europeu de IPOs continuou a sofrer com dificuldades econômicas nesse trimestre, e a Polônia manteve a liderança em número de negócios, representando 12 dos 23 IPOs realizados. A Europa movimentou apenas US$ 372 milhões com as 23 operações – o que equivale a apenas 2% do capital levantado globalmente -, registrando forte queda em comparação com os US$ 985 milhões das 60 operações registradas nos segundo trimestre do ano passado.
 
“Com os índices dos mercados de capital próprio crescendo e a volatilidade caindo, esperamos um retorno da confiança dos investidores e dos emissores, encoranjando a melhora gradual no número de negócios”, comenta a Maria.
 
EUA: Privaty Equity e Venture Capital representam maior parte das emissões
O cenário foi um pouco diferente nos Estados Unidos, com as bolsas de valores aumentando em 15% os procedimentos globais, o equivalente a US$ 3,5 bilhões em 23 negócios durante o terceiro trimestre de 2012 – o que representa uma queda de 30% se comparado ao trimestre anterior, em número de negócios.
 
As operações patrocinadas por fundos de Privaty Equity e Venture Capital representaram 70% das novas emissões no país, se considerado o número de negócios, e 64% em capital movimentado, com um total de 16 acordos levantados, ou US$ 2,2 bilhões.

(Paula Barra | Infomoney)

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