Mexichem investirá US$ 500 milhões em aquisições no Brasil

A petroquímica mexicana Mexichem incluiu o Brasil em sua rota de internacionalização a partir de 2010. A companhia vai investir US$ 800 milhões em aquisições, dos quais US$ 500 milhões no país para avançar no segmento de transformados de PVC e também na cadeia química, afirmou Ricardo Gutiérrez, principal executivo global do grupo, em entrevista ao Valor por telefone de seu escritório no México.

Assim como a Braskem elegeu os Estados Unidos para expandir seus negócios no mercado internacional, a companhia mexicana planeja fazer o mesmo para ganhar terreno nas Américas. No início deste ano, a empresa adquiriu ativos da inglesa Ineos nos Estados Unidos, Inglaterra e Japão, o que permitiu ao grupo avançar no segmento de ácido fluorídrico – utilizado pelo setor automobilístico. O mercado americano também deverá receber investimentos do grupo.

Controladora da Amanco e Plastubos, empresas de tubos e conexões, e também da Bidim, que fabrica filamentos de poliéster utilizado pelas indústrias de engenharia civil, a Mexiquem tem 45 fábricas e está presente em 15 países. "A companhia busca verticalizar sua presença no país", afirmou Marise Barroso, presidente da Amanco e diretora geral da Mexichem para a região Sul da América Latina.

Com faturamento de 30 bilhões de pesos mexicanos (ou US$ 2,3 bilhões) em 2009, a Mexichem atua em três cadeias: cloro-vinil, flúor e produtos transformados (tubos e conexões). No Brasil, a companhia não está presente no segmento de flúor – e não há, por enquanto, planos nesse sentido.

Os investimentos do grupo incluem aquisições nos próximos 18 meses. Segundo Gutiérrez, a empresa quer comprar unidades já em operação no Brasil ainda este ano. Dos aportes planejados no país, US$ 300 milhões serão realizados na cadeia de transformados, com prioridade para compostos (unidades que processam matéria-prima), e outros US$ 200 milhões no segmento químico cloro-vinil.

No Brasil, além dos recursos destinados para aquisição, a companhia pretende investir mais R$ 210 milhões nas empresas já existentes (Amanco, Plastubos e Bidim) para promover aumento de capacidade, marketing e inovação. A Amanco receberá mais de 90% desse total.

A Amanco, líder em tubos e conexões na América Latina e vice-líder no Brasil, é o principal negócio da Mexichem no país. Marise explicou ao Valor que o grupo busca diversificar seus negócios. O boom imobiliário no país tem garantido a boa demanda para os produtos da Amanco. "A Copa e as Olimpíadas também trarão boas oportunidades de expansão de negócios", afirmou a executiva.

Na América do Sul, a empresa tem uma base forte de negócios na Colômbia, após a aquisição da divisão de resinas da Petco (Petroquímica Colombiana) e no Brasil, com a aquisição da Amanco . "Temos planos para avançar no mercado de transformados no Chile, onde temos uma participação pouco satisfatória para as ambições da empresa." Entre 25% e 30% da receita da companhia é proveniente das operações da América do Sul.

Com a crise financeira de 2008, que teve impactos negativos durante o ano passado, o grupo começou a procurar ativos baratos no mercado internacional para promover sua expansão, a exemplo da Braskem, que finalizou a aquisição das operações da petroquímica Sunoco nos EUA, tornando a companhia a maior petroquímica das Américas.
 
(Mônica Scaramuzzo | Valor)

 

 

 

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