Mundial retoma plano de ingressar no Novo Mercado da Bovespa

A Mundial Produtos de Consumo protocolou nesta quinta-feira na BM&FBovespa novo pedido para listar suas ações no Novo Mercado, segmento da bolsa brasileira com grau mais elevado de governança corporativa.
 
Passado quase um ano da primeira tentativa, a fabricante de talheres, tesouras, esmaltes e alicates de unha tenta não repetir os erros observados no ano passado, que resultaram em investigações por parte da Polícia Federal e da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) a respeito da movimentação atípica com as ações da companhia.
 
Antes de cogitar o Novo Mercado, a Mundial havia planejado ingressar no Nível 1 da Bovespa, mas mudou de planos no meio do processo, em junho de 2011. Na época, o conselho de administração entendeu que a companhia deveria “avançar ainda mais no fortalecimento de suas práticas de governança corporativa e no relacionamento com o mercado de capitais".
 
Como a Mundial possuía ações ordinárias (ON) e preferenciais (PN), mas o Novo Mercado só permite a listagem de papéis ON, a primeira etapa foi promover uma conversão de ações, na proporção de uma PN para 0,8 ON.
 
Até 2010, as ações da companhia tinham pouquíssima liquidez e desempenho bastante modesto na Bovespa. A história começou a mudar no fim daquele ano, quando a empresa concluiu um plano de reestruturação iniciado em 2003.
 
As ações PN protagonizaram, no primeiro semestre de 2011, uma valorização de 550%, saltando de R$ 0,29 para a máxima de R$ 5,11 em 19 de julho do ano passado. Uma semana depois, em 26 de julho, o papel havia despencado para R$ 1,09.
 
A forte desaceleração de preço foi atribuída a um "ataque anônimo", que teria causado pânico nos investidores. Conforme mostrou o Valor na época, uma carta anônima circulou entre corretoras e investidores acusando um agente autônomo de Porto Alegre de ser o responsável pela impressionante alta dos papéis da empresa, que chegaram a registrar volumes diários que superaram as ações de Vale e Petrobras.
 
As ações da empresa chegaram a ser cotadas para ingressar no Ibovespa, principal índice da bolsa, mas o comportamento suspeito das ações levou o conselho da BM&FBovespa a vetar a entrada dos papéis.
 
O presidente da Mundial, Michael Ceitlin, declarou na ocasião que acreditava que a investigação da CVM e da Polícia Federal não atrapalharia a aprovação do ingresso da companhia no Novo Mercado por parte da Bovespa. “A Mundial não teve participação nessas negociações e isso não deve atrapalhar o processo”, assegurou.
 
Nesta quinta-feira, os papéis ON, que substituíram as PN, fecharam valendo apenas R$ 0,29, em baixa de 3,33% e com volume pífio, de R$ 161 mil. Agora é aguardar o posicionamento da Bovespa sobre os planos da companhia gaúcha.
 
(Téo Takar | Valor)

 

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