Oi inicia nova etapa no mercado acionário

Por volta do meio-dia de ontem, dezenas de funcionários da Oi saíam de suas mesas para almoçar como em qualquer outro dia. Após deixarem o elevador, a única mudança perceptível era o bloqueio das catracas para saída da sede do escritório, no bairro do Leblon, no Rio. A segurança mudou o local tradicional de saída porque naquele dia a empresa tinha se preparado para receber muitos visitantes e queria controlar melhor o fluxo de pessoas.

Quase ninguém notou a presença de três ou quatro mesas e funcionários que ficavam num canto perto da porta. Eles estavam lá para registrar a presença dos acionistas que foram à assembleia da Tele Norte Leste Participações (TNL), uma das empresas do grupo, marcada para as 12 horas.
 
A impressão era que a maior parte dos funcionários não tinha se dado conta da relevância – pelo menos do ponto de vista societário – do que estava por trás daquelas pequenas mudanças no hall do prédio. Mas os taxistas da cooperativa que atende os funcionários da empresa notaram desde cedo uma movimentação um pouco maior que a normal, com pessoas indo pela manhã para o prédio da empresa no bairro de Botafogo e depois se deslocando para a unidade da companhia no Leblon.
 
Após três tentativas frustradas e quase seis anos de espera, a companhia finalmente conseguiu sacramentar sua reorganização societária, envolvendo quatro companhias de capital aberto – sendo três com ações em bolsa -, em pouco menos de cinco horas.
 
As assembleias da Telemar Norte Leste (TMAR) e da Brasil Telecom foram as primeiras, em Botafogo. Os encontros da Coari e da TNL ocorreram no Leblon. Com o voto do controlador assegurando a aprovação das propostas e sem medidas judiciais no caminho, não houve surpresas em nenhum dos eventos.

O presidente-executivo da Oi, Francisco Valim, não esteve presente nas assembleias. Mas, de Barcelona, na Espanha, onde participa de um evento do mercado internacional de telecomunicações, ele deixou claro como via as mudanças que estavam ocorrendo. "Foi um passo fundamental para todos os nossos acionistas. Isso não pode ser subestimado", afirmou, em teleconferência com jornalistas.
 
Ele disse que a empresa não deixou dúvida sobre a qualidade de sua governança, perante o mercado e o regulador, e facilitou o caminho para a captação de dinheiro, tanto por meio de dívida como via aumento de participação acionária. "O reposicionamento da companhia vai permitir que ela continue competindo e crescendo."
 
O diretor financeiro da Oi, Alex Zornig, disse que a nova estrutura que se criou dará mais transparência para o investidor sobre as condições financeiras da companhia. "Antes, o investidor queria saber em qual empresa do grupo estava o caixa e a dívida", explicou.
 
Segundo ele, a última emissão de bônus no exterior feita pela Brasil Telecom, no valor de US$ 1,5 bilhão, há poucas semanas, já foi realizada tendo em vista a configuração da "nova Oi". "Tivemos demanda de US$ 9 bilhões pelos papéis", afirmou o diretor financeiro.
 
No fim das operações, haverá apenas uma companhia de capital aberto na bolsa, com ações ordinárias, que dão direito a voto, e ações preferenciais, sem voto. Hoje, o grupo tem três empresas listadas em bolsa, com sete tipos de ações.
 
A única empresa que restará após o processo de reestruturação é a atual Brasil Telecom, que mudará de nome para Oi S.A. e terá a atual TMAR como subsidiária integral. As ações serão negociadas sob os códigos OIBR3 e OIBR4 na BM&FBovespa. A "nova Oi" também terá recibos de ações negociados na Bolsa de Nova York.
 
As sinergias geradas pela reestruturação do grupo devem proporcionar uma economia anual de R$ 100 milhões, segundo Valim. Mas mais importante que isso é o destravamento dos papéis da empresa na bolsa. As ações das três companhias do grupo figuram entre as maiores altas do Ibovespa desde que o mercado entendeu que a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) não interromperia a reestruturação por questões legais. Somente entre quarta-feira e ontem, o valor de mercado da TNL, que hoje é a controladora das demais na bolsa, aumentou R$ 589 milhões, para R$ 9,06 bilhões.
 
Muitos analistas entendem que o mercado dava um desconto para os papéis da Oi por conta dos sucessivos embates com minoritários ao longo dos últimos anos.

Pesava negativamente também a dispersão dos negócios em ações das três empresas da cadeia societária. Todas elas, juntas, negociaram uma média diária de R$ 48 milhões em 2011, sendo R$ 31 milhões na TNL, R$ 12 milhões na Brasil Telecom e R$ 5 milhões na TMAR. A expectativa é que a liquidez, agora concentrada em apenas uma empresa, aumente.
 
Em termos financeiros, nada muda para a empresa, que continua com o mesmo balanço e com a mesma classificação de risco, conforme a agência Standard & Poor”s.

(Fernando Torres e Juliana Ennes | Valor)
 

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