Pão de Açúcar considera novas aquisições para ir além de alimentos

SÃO PAULO – Entre as estratégias do Grupo Pão de Açúcar para o próximo ano está a expansão dos negócios por meio de associações e aquisições em segmentos fora do ramo de alimentos, como têxteis, artigos esportivos, bazar e materiais de escritório.

Essas parcerias podem ser estabelecidas inclusive com empresas de fora do Brasil, revelou hoje o diretor-presidente da companhia, Enéas Pestana. De acordo com o executivo, no momento, não há negociações em andamento, mas ele não descarta movimentos nesse sentido já no curto prazo.

A avaliação é de que, por ter sua posição consolidada do segmento alimentício, não há mais potencial de expansão dos negócios. A alternativa então é avançar em outros mercados considerados estratégicos. “Se é um segmento que nos interessa e nos trará market share, a gente pode fazer associações e aquisições. As oportunidades de ganhar escala e se especializar não estão em alimentos”, explica o executivo.

Apesar disso, o maior grupo de distribuição do Brasil continuará mantendo preponderância no varejo alimentar, que representa 60% dos negócios do grupo. Para Pestana, o modelo de hipermercados tem de ser revitalizado.  “Essa diversificação para nós faz todo o sentido, nos preparamos para isso, e aquisições são vistas como uma oportunidade de negócio”, diz.

Durante palestra para empresários promovida pelo Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças (IBEF), o diretor presidente do Grupo Pão de Açúcar destacou a conjuntura econômica brasileira e o bom momento vivido pelo setor varejista.

Ele citou especificamente a ascensão das classes B e C e a farta oferta de crédito. Para ele, esses fatores são muito importantes neste momento em que será criada a Nova Globex – empresa resultado da união entre Pão de Açúcar e Casas Bahia e que engloba a bandeira Ponto Frio.

No entanto, ele reconheceu que o fortalecimento do mercado imobiliário tem seu lado negativo para a companhia. Isso porque o grupo enfrenta difivuldades para abertura de novas lojas, por conta da indisponibilidade de pontos e do aumento dos custos.

Eleições

Diferentemente da visão de que o processo eleitoral este ano não impactará na economia, Enéas Pestana comentou que, em reunião com executivos franceses, notou uma certa dúvida a respeito da candidata do governo Dilma Rousseff  (PT).

Para ele, na visão dos estrangeiros, ainda há uma insegurança sobre se a líder nas pesquisas de intenção de voto realmente representa a continuidade do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

(Ana Luísa Westphalen | Valor)

 

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