Para crescer no leite, BRF faz parceria e investe em fidelização

Com o intuito de ampliar o peso do negócio leite em suas operações, a BRF Brasil Foods anunciou ontem duas iniciativas que devem permitir a seus fornecedores ganhar produtividade, reduzir custos e entregar leite com maior qualidade à companhia. A empresa firmou parceria com a Embrapa e com a Cooperideal ? Cooperativa para a Inovação e Desenvolvimento da Atividade Leiteira, para participação no projeto Balde Cheio, da estatal. O objetivo é ampliar a capacitação técnica e gerencial de pecuaristas que fornecem matéria-prima para as 14 unidades de lácteos da BRF no país.

Ao mesmo tempo, a BRF anunciou que está reforçando seu programa de fidelização, o Clube do Produtor. Este já existia na antiga Eleva, comprada pela então Perdigão em setembro de 2007, mas se restringia ao Rio Grande do Sul. Foi reformulado e estendido para o restante do país e a partir do segundo semestre vai oferecer pagamento por qualidade ao produtor.

" Na então Perdigão, a receita com lácteos era de R$ 3,3 bilhões, 20% do faturamento total " , observou Wlademir Paravisi, diretor-geral do Negócio Batavo-Elegê na Brasil Foods. O plano é que lácteos alcancem fatia semelhante na BRF, resultado da união entre Perdigão e Sadia, que fatura mais de R$ 20 bilhões.

Segundo ele, a produção de leite no Brasil hoje " não é competitiva do ponto de vista de custo e de qualidade " . O executivo lembrou que enquanto no Brasil a produtividade média é de 1.700 litros de leite por vaca/ano, na Argentina, chega a 4.800 e na Nova Zelândia, a 5.600 litros. O Brasil também perde em relação ao custo de produção: aqui está em US$ 0,40 por litro e na Argentina e Nova Zelândia está em US$ 0,22.

Na parceria, a Embrapa Pecuária Sudeste fará o treinamento de técnicos da Cooperideal, que multiplicará as informações sobre manejo da pastagem, controle zootécnico e gestão da propriedade em 20 salas de aulas em fazendas que fornecem leite para a Brasil Foods no Sul do país, Minas Gerais, Goiás e Pernambuco. O projeto prevê que esses 20 fornecedores de leite multiplicarão as informações com outros produtores, alcançando 600 propriedades até o fim do ano.

Com o Clube do Produtor, a BRF busca tornar-se mais competitiva em lácteos. Paravisi explicou que o pecuarista que adere ao clube tem garantida a venda de 100% de sua matéria-prima para a BRF. Além disso, tem assistência técnica e acesso a insumos e equipamentos com preços diferenciados, já que a empresa negocia melhores condições com tais fornecedores.

Hoje, o clube tem cerca de 1.000 produtores e a expectativa é chegar a 1.200 parceiros até o fim do ano. Na média, esses produtores entregam, cada um, 500 litros de leite por dia para a BRF, mas o potencial em quatro anos é de triplicar esse volume, disse Luiz Stabile, diretor de agropecuária da BRF.

O pagamento baseado na qualidade levará em conta critérios como teor de gordura, temperatura e contagem bacteriana, segundo Paravisi. O preço de referência será o do mercado regional e em alguns casos a cotação do Cepea.

Com um total 12 mil fornecedores diretos, a Brasil Foods prevê ampliar em 12% captação de leite este ano. Segundo Paravisi, a captação " caiu um pouco " em 2009, mas a empresa segue como segunda no ranking – em 2008, recebera 1,671 bilhão de litros de leite. Ele explicou que a queda de 11% na produção de lácteos em 2009 não reflete necessariamente o recuo na captação. " Caiu isso porque fizemos menos UHT e mais leite em pó e queijos, que utilizam mais matéria-prima " , disse.

(Alda do Amaral Rocha | Valor)
 

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