Por que a inglesa Arma quer as empresas de tecnologia daqui

A butique de fusões e aquisições britânica Arma não se arrepende de apostar nos setores de tecnologia, mídia digital e comunicações. Apesar da turbulência mundial, até agora, 2012 já rendeu um número recorde de 16 transações fechadas pela Arma – e o ano nem terminou. Mas a empresa quer mais – e acredita que pode encontrá-lo no Brasil.

Não por acaso, a Arma fechou em janeiro uma parceria com a brasileira Deal Maker, cujos executivos acumulam passagens por cargos-chave em empresas como a AT&T, Bematech e Telefônica. Além de ter escritórios próprios em Londres e em Palo Alto, na Califórnia, a Arma mantém acordos semelhantes com empresas que assessoram fusões e aquisições em Israel, Japão e Austrália.

Em visita ao Brasil por cinco dias, o fundador da Arma,  Paul-Noël Guély, afirmou a EXAME.com que se surpreendeu com a postura das companhias no país: apesar de esperar que todas quisessem ser compradas, se deparou também com empresas que desejam se firmar no exterior.

Exemplo

“A expansão que a Totvs quer internacionalmente, por exemplo, não deve ser vista como um caso pontual no setor de tecnologia, mas uma prova de que há muito por vir”, acrescentou Daniel Carneiro, um dos sócios da Deal Maker. Segundo Carneiro, a área de serviços bancários, e-commerce e de infraestrutura em telecomunicações deverá crescer daqui para frente, com o Brasil ganhando cada vez mais relevância aos olhos dos players internacionais.

A atuação de fundos globais no país seria uma das provas desse movimento. Desde 2011, os fundos de private equity Tiger Global, Accel Partners e Rocket Internet anunciaram a compra de fatia em empresas como Kekanto, Baby.com.br, Dafiti e OQVestir.

“O Brasil ainda não era reconhecido como um polo no setor, mas isso está mudando rapidamente”, completou Carneiro. Junto à Arma, a empresa tem a expectativa de fechar de duas a quatro transações a partir do começo do ano que vem.

Expansão

Para Guély, da Arma, o fato de a empresa buscar negócios nos quatro cantos do mundo é fundamental para manter o ritmo de crescimento. Hoje, 70% dos negócios são feitos entre companhias de países diferentes e 50% referem-se a transações intercontinentais.

Isto porque, em tempos de vacas magras na economia global, os humores do mercado ficam mais voláteis. Se a abertura de capital na bolsa implica exposição excessiva a eventuais tormentas, as fusões e aquisições aumentam seu apelo como alternativas para quem quer expandir os negócios.

Fundada em 2003, a empresa conta com 55 funcionários. A evolução da Arma contrasta com a desaceleração das negociações fechadas no Velho Continente: segundo dados da consultoria Dealogic, o volume de fusões e aquisições na Europa representou 28% das transações registradas de janeiro a setembro em todo mundo. É o menor percentual percentual  desde 1998.

Blindados

Guély afirmou que algumas razões explicam a “blindagem” da boutique de investimentos. O próprio setor, reforçou ele, é menos exposto ao vai-e-vem do mercado. Normalmente, a Arma presta assessoria financeira para operações de 50 a 500 milhões de dólares – valores comuns para companhias médias. De acordo com o executivo, essas empresas  costumam ser as responsáveis por introduzir novos conceitos em termos de tecnologia e inovação, tornando-se gigantes lá na frente. “Hoje, o próximo Facebook ainda é pequeno”, resumiu.

Atuando na fase em que essas companhias começam a ser reconhecidas, a Arma diz conseguir múltiplos atrativos para a compra e venda dos ativos. Do seu lado, conta com a vantagem de ser ultra especializada em analisar atividades ignoradas pela concorrência. Só neste ano, ela esteve do lado de companhias menores em negócios com titãs como IBM, Thomson Reuters, Xerox e SoftBank.

Desde 2009, a boutique participou de 39 negócios na Europa, que totalizaram 3,5 bilhões de dólares. Os números dão à Arma o primeiro lugar entre os assessores financeiros em matéria de volume para o chamado ‘mid-market’, e a segunda colocação em termos de valor, atrás do Morgan Stanley e à frente de tradicionais casas, como Jefferies, Credit Suisse e Goldman Sachs.

(Marcela Ayres | Exame)

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