Portuguesa Brisa anuncia venda de fatia na CCR e sai do Brasil

LONDRES – A Brisa, maior operadora de estradas de Portugal, vai usar R$ 840 milhões da venda de sua participação na Companhia de Concessões Rodoviárias (CCR) para pagar dívidas de curto prazo, afirmou nesta quarta-feira, 23, o presidente da empresa, Vasco de Mello.

A portuguesa Brisa decidiu vender sua participação no capital da Companhia de Concessões Rodoviárias (CCR) e sair do Brasil. O acordo fechado na terça-feira, 22, permite que a maior operadora de estradas de Portugal se desfaça da fatia de 16,35% na empresa brasileira, num negócio que deve ficar em cerca de R$ 2,7 bilhões.

Este pode ser considerado o maior impacto da crise em Portugal sobre o Brasil até agora. Conforme Vasco de Mello, os resultados da operação serão utilizados não só para fortalecer a posição financeira da empresa, mas também para financiar o seu crescimento futuro em outras regiões.

"A venda não significa uma visão negativa sobre o Brasil ou a CCR", disse Mello, em teleconferência com analistas estrangeiros nesta manhã. "A Brisa precisa se preparar para o futuro e essa foi a melhor solução".

Os atuais acionistas da CCR – as construtoras Andrade Gutierrez, Camargo Corrêa e Soares Penido – irão comprar uma fatia de 6% da companhia em poder dos portugueses, por R$ 990 milhões. Dessa forma, passarão a deter juntos 51% do capital da CCR.

Os demais 10,35% serão vendidos por meio de colocação privada, nas próximas semanas. O valor de mercado dessa participação é de R$ 1,695 bilhão.

O Santander foi contratado para intermediar a transação. Questionado sobre a possibilidade de uma oferta secundária para vender essa fatia, Mello afirmou que a empresa está "buscando" a colocação privada.

A companhia portuguesa acabou de sofrer o rebaixamento da nota de classificação de crédito da Standard and Poor”s, de "BBB" para "BBB-". Na ocasião, a agência de risco afirmou que liquidez da Brisa é "menor do que o adequado". As perspectivas econômicas mais fracas para Portugal também devem se refletir no desempenho do tráfego no país.

(Daniela Milanesi | O Estado de São Paulo)

 

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