Rede D’Or fará mais aquisições este ano

A carioca Rede D”Or, que acaba de adquirir o controle do Hospital São Luiz, um dos mais importantes de São Paulo, promete dar sequência à estratégia de expandir seu poder de fogo via aquisição de outras unidades da rede hospitalar privada do país. O vice-presidente do grupo, José Roberto Guersola, disse ao Valor que ainda este ano o mercado terá novas notícias de aquisições da rede.

"Não vamos parar não. O próprio São Luiz tinha uma planejamento de expansão, via aquisições, que vamos dar continuidade. Vamos juntar forças. Ainda este ano teremos novidades, com certeza", afirmou. Segundo Guersola, a parceria com o banco BTG Pactual, firmada em abril, foi muito importante para os planos de crescimento da Rede D”Or, seja pelo reforço da capacidade financeira, seja por ter acrescentado ao grupo maior capacidade de negociação na hora de fechar os contratos.

O BTG entrou na Rede D”Or por meio de subscrição de debêntures conversíveis em ações. O volume subscrito não foi revelado pelas duas partes, sendo destacado apenas que não foi suficiente para retirar do médico carioca Jorge Moll, fundador da Rede D”Or, a condição de acionista majoritário do grupo.

Guersola disse que a aquisição do São Luiz, com três unidades hospitalares, foi "extremamente importante" para os planos do grupo carioca, que vem perseguindo, por meio de uma gestão muito ajustada, a combinação de serviços de qualidade com retorno de capital no difícil mercado de saúde privada.

Para o vice-presidente da Rede D”Or, o setor segue sendo muito pulverizado, favorecendo a continuidade do processo de consolidação, que ele considera "inevitável". Paralelamente, segundo ele, os hospitais beneficentes, que gozam de incentivos fiscais, vão seguir crescendo, com destaque para alguns deles, como os paulistas Albert Einstein e Sírio-Libanês.

Com a compra do São Luiz (803 leitos), a Rede D”Or, que já havia adquirido em abril o Hospital Brasil (249 leitos), em Santo André, atingiu 1.052 leitos em São Paulo, mercado do qual estava ausente até o primeiro trimestre deste ano. O total representa mais da metade dos quase 2 mil leitos que o grupo possui no Rio de Janeiro, seu principal mercado.

Com a nova aquisição, o grupo se consolida como maior grupo hospitalar privado do país, com faturamento na casa dos R$ 2,3 bilhões anuais. Uma das prioridades do grupo continua sendo a de contar com um hospital voltado exclusivamente para o segmento de mais alta renda do Rio de Janeiro.

Como não conseguiu se entender com os controladores do Hospital Samaritano (de Botafogo, zona sul) para comprar o pacote já pronto, o grupo vai investir na construção de um hospital novo com as mesmas características em Copacabana, a ser inaugurado em 2012, segundo Guersola. A unidade ainda está em fase de projeto. O executivo disse também que ainda não está descartada a compra do Samaritano.

Além disso, o grupo carioca inaugura este ano um hospital de grande porte em Cascadura, zona norte do Rio, e já decidiu também construir outros dois, um em Duque de Caxias, o primeiro do grupo na Baixada Fluminense, e outro em Niterói, também na região metropolitana do Rio de Janeiro.

Com a compra das três unidades da rede paulistana (Itaim, Morumbi e Tatuapé), a Rede D”Or passa a contar com 17 hospitais próprios e 2 sob gestão, além de 65 unidades de diagnóstico (o grupo é dono da rede Labs D”Or). Além do Rio e de São Paulo, a rede atua em Pernambuco e no Paraná.

(Chico Santos | Valor)

 

 

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