Salto do lucro da Oi é reflexo da fusão com a BrTSinergias capturadas pela união permitiram à operadora cortar 7% dos custos no primeiro trimestre

São Paulo – Na novela da fusão da Oi com a Brasil Telecom (BrT), os espectadores estão mais acostumados a momentos de tensão do que de tranqüilidade. No último episódio, em janeiro, os executivos da Oi descobriram um potencial esqueleto de 1,3 bilhão de reais nas contas da BrT, referentes a provisões para disputas judiciais. O fato levou a operadora a rever os termos da troca de ações que consolidaria a união das empresas.

Apesar de conturbada, a parceria começa também a colher frutos positivos. O mais visível é o salto do lucro líquido da Oi no primeiro trimestre: de 10,8 milhões de reais, no mesmo período do ano passado, para 496 milhões. Ou seja, 45 vezes maior.

 O que catapultou a última linha do balanço da Oi foram os ganhos de sinergia já gerados pela fusão com a BrT. No relatório que acompanha as demonstrações, a empresa afirma que "as sinergias de custos já podem ser visualizadas nos resultados: custos e despesas operacionais consolidados apresentaram redução de 7% ano contra ano". A rubrica baixou de 5,295 bilhões de reais para 4,930 bilhões. Os destaques foram os cortes nos custos de serviços prestados, mercadorias vendidas, despesas de comercialização e gastos com administração.

O controle das despesas foi importante não apenas por representar os ganhos gerados pela fusão, mas também porque permitiu à Oi lucrar bem mais, mesmo em um cenário no qual suas receitas ficaram praticamente estáveis. Entre janeiro e março, a receita bruta totalizou 11,545 bilhões de reais, 2,7% superior ao do período comparado.

A empresa faturou menos com serviços de telefonia fixa: 8,842 bilhões de reais, ante 8,927 bilhões da comparação. A queda foi compensada pela telefonia móvel, cuja receita bruta passou de 2,269 bilhões para 2,601 bilhões de reais. Como pagou mais impostos e deduções no início deste ano, a receita líquida ficou ligeiramente menor que a comparada: 7,462 bilhões de reais, ante 7,487 bilhões.

Tirar partido das sinergias para cortar custos, portanto, foi o que permitiu à Oi elevar sua rentabilidade nos últimos 12 meses. Segundo a companhia, a queda dos custos recorrentes demonstrou "os efeitos positivos dos ganhos de sinergia da integração entre a Oi e a Brasil Telecom". A companhia observa que "essa queda teria sido maior ainda, caso a operação de São Paulo fosse excluída, já que os custos relativos àquela região foram menores naquele trimestre (1T09)".

Márcio Juliboni, de EXAME

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