Setor vive expectativas de fusões e aquisições em 2013

O setor de óleo e gás tem pela frente alguns movimentos de fusões e aquisições em 2013, quando deve acontecer o primeiro leilão de blocos exploratórios depois de cinco anos sem licitações da Agência Nacional do Petróleo (ANP). Mas ainda não está claro o quanto a nova instabilidade regulatória criada de surpresa no Rio no último dia antes do recesso legislativo, representada por uma taxa de fiscalização equivalente a US$ 4,40 por barril de petróleo, pode comprometer a atratividade do setor. É no mar territorial do Estado que estão os maiores campos produtores do país atualmente, inclusive gigantes do pré-sal como Lula.
 
 “Nós lamentamos porque no momento em que estamos ávidos para investir, esperando por novas rodadas [de licitações] depois de cinco anos, vem mais uma insegurança política que atinge a credibilidade do país”, diz o presidente do Instituto Brasileiro do Petróleo (IBP), João Carlos França de Luca.
 
 Atualmente estão à venda participações acionárias de blocos exploratórios em fases distintas de amadurecimento exploratório, entre eles os 18 blocos da Vale; o campo de Polvo, colocado à venda pela BP; e os ativos da El Paso. Também continuam fortes as especulações sobre a venda de uma participação acionária da OGX do empresário Eike Batista.
 
 Uma demonstração de que o Brasil continua no radar das companhias estrangeiras foi um negócio realizado na semana passada. A Alvopetro, uma pequena companhia com concessões na bacia do Recôncavo baiano, foi comprada pelas canadenses Petrominerales e Fortress. A Alvopetro tem a concessão de três campos marginais que produzem 60 barris de petróleo por dia e sete blocos exploratórios com potencial para exploração de recursos não convencionais.
 
 A compra de participações em ativos já sob concessão, chamados “farm-in” no jargão da indústria, é a única maneira de entrar no setor no Brasil. Adquirir novas áreas é impossível, já que a última oferta de blocos marítimos aconteceu em 2007, na 9ª Rodada de Licitações da ANP. No leilão de 2008 foram oferecidos blocos em terra, quando começavam as discussões sobre um tratamento diferenciado para reservatórios do pré-sal.
 
 Depois o setor entrou em estado de paralisia e as áreas exploratórias minguaram de tal modo que se nada mais for licitado, em 2016 nenhuma empresa terá áreas para explorar no Brasil. Até lá, as que encontrarem petróleo ou gás vão colocar os projetos em fase de desenvolvimento da produção, e quem não tiver sucesso terá de devolver as concessões para a ANP sem mais o que fazer.
 
 É esse quadro que se espera mudar em 2013, apesar de ainda não haver data para os leilões. A ANP pretende licitar blocos em várias bacias em terra e no mar, incluindo áreas em águas profundas na Bacia de Sergipe-Alagoas – parte da chamada Margem Equatorial – que tem muita semelhança com a geologia da Africa. Trata-se de uma área que requer operadores de grande porte, o que deve atrair empresas também animadas com o fato de a Petrobras ter feito cinco importantes descobertas na bacia.
 
 Outro marco do setor no próximo ano pode ser o leilão do primeiro campo de petróleo no pré-sal oferecido no modelo de partilha de produção. Além da estreia do modelo em que ganha a licença quem oferecer o maior volume de barris de óleo para a União (exclusivo para uma faixa de pré-sal delimitada por lei), outro diferencial é que será oferecido para partilha um reservatório gigantesco já descoberto: Libra, no pré-sal da bacia de Santos e com estimativa de reservas de 7 bilhões de barris de óleo recuperáveis. Tudo indica que depois da paralisia dos últimos anos, emoções é que não vão faltar em 2013.

(Fusões e Aquisições)

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