Sucesso da oferta do banco não se configura tendência

As ofertas iniciais de ações (IPOs) voltaram à Bovespa nos últimos dias, após um jejum de quase dez meses. E voltaram em grande estilo, com a aguardada estreia do banco de investimentos BTG Pactual, que conseguiu emplacar uma colocação de quase R$ 3 bilhões, com demanda quatro vezes superior à oferta. No entanto, o sucesso do IPO do BTG não representa uma tendência para o mercado brasileiro, mas um "ponto fora da curva", segundo gestores.
 
"O BTG foi uma operação à parte. O cenário do mercado continua turbulento, principalmente lá fora, o que é ruim para novas colocações, que dependem do capital externo", afirma o sócio da AZ Investimentos, Ricardo Zeno. Ele lembra que o estrangeiro vem sacando recursos da bolsa brasileira nas últimas semanas em função do quadro global de maior aversão a risco, especialmente por causa da Europa, onde a crise das dívidas soberanas ainda traz apreensão.
 
"O BTG é uma instituição bem conhecida lá fora, com histórico de bons resultados, tanto que praticamente toda a captação partiu dos estrangeiros. Mas com empresas novas, desconhecidas e sem histórico de resultados, a coisa é bem diferente", pondera Zeno. "Num momento como esse, ninguém vai se arriscar a botar dinheiro em um negócio que ainda não conhece."
 
Uma das novatas deste ano na Bovespa é a Locamerica. A empresa de locação de veículos foi obrigada a reduzir o preço sugerido de sua oferta de R$ 11,00 para R$ 9,00 e, desde a estreia, no dia 23, não conseguiu superar esse patamar. Ontem, fechou estável, a R$ 8,70.
 
O gestor acrescenta que, além das dúvidas que cercam todo IPO, como a definição do preço das ações e capacidade de empresa manter o crescimento prometido, as estreantes têm que "concorrer" com empresas listadas, e que muitas vezes possuem ações com preços mais atraentes.
 
Mas mesmo empresas conhecidas, como a Fibria, estão sentindo dificuldades para emplacar operações. A produtora de papel e celulose realizou na terça-feira uma oferta primária (em que os recursos vão para o caixa da empresa) de R$ 1,4 bilhão, ao preço de R$ 15,83, pouco abaixo do fechamento do papel no dia, que foi de R$ 16, com alta de pouco mais de 6%.
 
Ontem, as ações devolveram o ganho da véspera, valendo R$ 15,15. Ou seja, quem comprou na oferta já perde dinheiro. E segundo operadores, a demanda da operação não foi das melhores.

(Téo Takar | Valor)
 

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