Sueca Saab compra 15% da brasileira Akaer

A companhia sueca Saab, que atua nos segmentos de defesa, aviação e segurança civil, anunciou ontem um aporte de recursos para a brasileira Akaer, equivalente a uma participação de 15% no capital social da empresa. A operação, conhecida como empréstimo conversível em ações (convertible loans), prevê um limite de participação da Saab na Akaer de até 40%.
 
A Akaer e a Saab se tornaram parceiras em 2008 com a assinatura de um memorando de entendimento para a participação da brasileira no projeto do caça Gripen. Um ano depois, a Saab decidiu contratar a Akaer para o desenvolvimento da fuselagem central, fuselagem traseira e das asas do Gripen NG, a nova versão do caça, que está sendo oferecida para a Força Aérea Brasileira (FAB) na concorrência F-X2.
 
"Importante frisar que o controle da Akaer continuará sendo brasileiro, para que sejam preservadas as características de empresa estratégica de defesa", afirmou o presidente da Akaer, Cesar Augusto da Silva. As discussões sobre essa operação entre as duas empresas, segundo o executivo, vinham sendo feitas há cerca de seis meses.
 
O objetivo do novo acordo firmado com a Saab, segundo Silva, é transformar a Akaer em uma companhia integradora de estruturas aeronáuticas, tornando-a mais competitiva a nível global para atender empresas como a Embraer e a toda a indústria aeroespacial e de defesa do mundo.
 
A Akaer, segundo ele, também está analisando a instalação de uma nova unidade para atender à Helibras, em Itajubá (MG), no projeto de um novo helicóptero para as Forças Armadas Brasileiras.
 
"O nosso plano é que até 2020 a Akaer possa se tornar a maior fornecedora brasileira de produtos para a Embraer, além de atuar no mercado internacional", disse o executivo da Akaer. Especializada no desenvolvimento de aeroestruturas e em gestão de projetos para os setores aeroespacial e de defesa, a Akaer já forneceu mais de 2 milhões de horas de serviços de engenharia para a Embraer, para os principais projetos de aeronaves da companhia.
 
O contrato da Akaer para o Gripen NG, segundo o vice-presidente de Estratégia da Saab, Dan Jangblad, prevê que 80% da estrutura do novo caça seja feita pela brasileira, independente do resultado da concorrência F-X2. A Akaer, segundo ele, também será a empresa responsável pelo projeto da estrutura dos 22 caças Gripen NG que foram vendidos para a Força Aérea da Suíça e para os 80 encomendados pela Força Aérea da Suécia.
 
"O que for feito pela Akaer no Brasil não será replicado. A plataforma do Gripen NG será a mesma para os dois países", afirmou o executivo da Saab. Para o presidente da Akaer, a participação da empresa nesse projeto é uma grande oportunidade de mercado para o país começar a preencher o abismo que existe hoje entre a Embraer e a base industrial aeronáutica brasileira.
 
"A parceria com a Saab pode representar um grande salto tecnológico, com o mesmo impacto que o AMX teve para a Embraer, capacitando as empresas brasileiras em novas tecnologias e criando um fornecedor de classe mundial em estruturas dentro do país", afirmou Silva.
 
A Akaer, segundo ele, também está criando uma holding envolvendo a atual unidade de negócios de engenharia e as futuras unidades de manufatura e integração de aeroestruturas. A expectativa da empresa é que a holding possa também ampliar a capacidade das pequenas empresas do setor no Brasil para se tornarem fornecedoras internacionais, reduzindo a dependência da Embraer, que afeta os negócios do setor em períodos de crise.
 
O vice-presidente da Saab disse que a seleção do Gripen NG no programa F-X2 não é uma condição para a manutenção da parceria com a Akaer, mas a decisão em favor do caça sueco poderá sim potencializar e acelerar os negócios com as empresas brasileiras parceiras da Saab.
 
"A Saab considera importante esse acordo com a Akaer não só para reforçar a sua atuação no Brasil, mas também para facilitar o processo de transferência de tecnologia às empresas brasileiras caso o Gripen NG seja o caça escolhido pelo governo brasileiro", disse Jangblad.
 
Segundo ele, cerca de 40% do desenvolvimento do novo caça sueco poderá ser feito no Brasil, envolvendo toda a parte de engenharia de sistemas, integração de armamentos e sensores, sistemas táticos e aviônicos, integração e montagem final e ensaios em voo.

(Virgínia Silveira | Valor)
 

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