TIM elege Rodrigo Abreu como presidente

Engenheiro e ex-presidente da fabricante de equipamentos de rede Cisco há sete anos, executivo substitui Andrea Mangioni no comando da 2ª maior operadora de celular do País

A TIM, segunda maior operadora de telefonia do Brasil, anunciou nesta quinta-feira (7) a eleição de um experiente executivo do setor de telecomunicações e tecnologia da informação como seu novo presidente.

O Conselho de Administração da TIM elegeu no começo da tarde o presidente das operações brasileiras da fabricante de equipamentos de rede Cisco, Rodrigo Abreu, para ocupar o principal cargo executivo da empresa, assumindo o lugar do italiano Andrea Mangoni, em 4 de março.

Após um momento de transição no qual a segunda maior operadora de telefonia móvel do país tem perdido rentabilidade, principalmente em meio a problemas regulatórios e desaceleração na receita de serviços, a nomeação do executivo pode trazer alívio para os acionistas, avaliam especialistas.

A indicação de Abreu não veio como uma surpresa, após diversas especulações na semana por parte da imprensa. O papel da empresa fechou em queda de 1,75%, a R$ 8,42, enquanto o Ibovespa caiu 0,98%.

Apesar de não ter uma carreira ligada diretamente a serviços de telefonia, Abreu tem mais de 20 anos de experiência no lado dos fornecedores de tecnologia da informação e do setor de telecomunicações.

Além de atual presidente da unidade da empresa norte-americana no Brasil, ele liderou a empresa canadense de equipamentos de rede Nortel Networks no Brasil e também a antiga Promon Tecnologia-atualmente PromonLogicalis, após fusão com a britânica Logicalis em 2008.

“A TIM sofreu uma pressão muito forte em 2012 e precisa ter um interlocutor com presença mais forte no mercado brasileiro, o Andrea (Mangoni) é de fora, não era tão conhecido”, disse Eduardo Tude, presidente da consultoria especializada Teleco.

Mangoni fora apontado presidente da TIM em meados do ano passado, vindo da controladora Telecom Italia para ocupar o lugar de Luca Luciani, e anunciou sua renúncia na última terça-feira, considerando “cumprida a missão para o qual foi encarregado”.

A TIM passou por diversos reveses no ano passado após a saída de Luciani, em maio, em meio a uma investigação de autoridades italianas envolvendo chips de telefonia móvel irregulares.

Em julho, a operadora foi punida pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) com a suspensão de vendas de linhas móveis em 18 Estados e no Distrito Federal, por 11 dias, sob alegação de má qualidade na prestação de serviços.

Soma-se a isso a suspensão, também pela Anatel, de oferta promocional no fim do ano passado, além de acusações relacionadas à queda de chamadas e rusgas públicas com seu acionista minoritário JVCO Participações, do empresário Nelson Tanure.

“Ele (Abreu) é bem visto pelo mercado (de tecnologia), e acho que vai dar uma inserção melhor da TIM no mercado, tanto em liderança como em possibilidade de relacionamento mais amplo até com a Anatel”, afirmou Tude.

Para um analista financeiro que acompanha o setor e não quis se identificar, a eleição de Abreu é “sem dúvida” um evento positivo para a estabilidade da empresa no mercado.

“Não veio um daqueles figurões tradicionais do setor, e sim um sujeito da indústria, para tentar fazer um meio campo com o governo e a Anatel”, avaliou o analista.

RENTABILIDADE

A companhia tem se deparado também com uma queda em sua rentabilidade, que pôde ser vista com um crescimento modesto em sua receita líquida de serviços no quarto trimestre de 2012.

O cumprimento da meta de receita líquida para ano, de alta de 10% sobre 2011, se deveu muito ao crescimento das vendas de aparelhos, que é considerada de baixa rentabilidade.

“A TIM virou o ano com uma trajetória de receita preocupante”, disse o analista que pediu para não ser identificado, ressaltando a queda anual na receita média por usuário (Arpu), indicador de rentabilidade, de 9,5% no quarto trimestre sobre um ano antes.

Já Ana Rayes, da consultoria Lopes Filho, destacou que a empresa agora precisa se concentrar nos serviços móveis, e também de banda larga de alta velocidade com a TIM Fiber, que ainda não decolou.

A receita bruta dos negócios fixos da empresa, que incluem Intelig, TIM Fixo e Live TIM, caiu 24% no quarto trimestre na comparação anual, a 302 milhões de reais, resultado atribuído à reestruturação da Intelig, comprada em 2009.

Para analistas, Abreu vai ajudar a mudar esse quadro. “Eles estão trazendo alguém do lado industrial, mostrando a preocupação deles com qualidade de serviços da rede”, afirmou o analista que não quis se identificar.

(Reuters)  

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