À venda, Mantecorp vira alvo do Aché

O laboratório nacional Mantecorp, controlado pela família Mantegazza, contratou a Inspire Capital, uma butique de fusões e aquisições, para assessorar na venda ou na procura de um sócio estratégico para a farmacêutica, segundo apurou o Valor. O Aché, uma das maiores companhias do país no setor, está no páreo na negociação, de acordo com fontes familiarizadas com a operação. A Hypermarcas, grupo que se transformou em uma máquinas de compras nos últimos meses, sobretudo nesse setor, também teria interesse nesse ativo e já contratado um banco para analisá-lo. Outros dois grupos de capital estrangeiro já teriam manifestado apetite até o momento.

As notícias de que o Mantecorp estaria em negociação já circulavam no mercado. No entanto, com a contratação da Inspire, que assessorou nos últimos meses a venda das usinas Santelisa Vale para o grupo francês Louis Dreyfus e da Equipav para a indiana Shree Renuka, as suspeitas se confirmaram e a empresa, oficialmente, iniciou um processo de venda. Procurados, o Mantecorp e a Inspire não retornaram os pedidos de entrevista.

O Valor apurou que o Aché tem forte interesse nessa operação, uma vez que reforça a posição da companhia como um dos maiores laboratórios nacionais. Além de ganhar em escala, o Mantecorp, cujo faturamento gira em torno de R$ 700 milhões, também agrega em produtos OTC (medicamentos isentos de prescrição). Em seu portfólio estão marcas tradicionais, como o antigripal Coristina, os antialérgicos Polaramine e Celestamine, o antipirético e analgésico Alivium, a linha de proteção solar Episol e de hidratantes Epidrat.

Com uma fábrica em Jacarepaguá (RJ), o Mantecorp também tem um braço de medicamentos genéricos, a Brainfarma, que poderá receber investimentos para ganhar maior robustez.

Com um faturamento em torno de R$ 1,9 bilhão, o Aché, controlado pelas famílias Dellape Baptista, Siaulys e Depieri, pretende crescer por meio de aquisições e deve ir à bolsa, quando as condições de mercado forem favoráveis. Com o intenso movimento de fusões e aquisições no mercado farmacêutico nos últimos meses, a própria companhia, que busca a consolidação, também é alvo de assédio de grandes multinacionais. Procurada, o Aché também não comenta a operação. As empresas nacionais viraram alvos preferenciais de múltis, interessadas em avançar em países emergentes.

O Valor apurou que o Aché poderá negociar apenas uma fatia significante da farmacêutica. Fundada em 1966, a companhia conta com dois complexos industriais, um em Guarulhos (Grande São Paulo) e outro na capital paulista, no bairro Jurubatuba . O portfólio da empresa conta com 250 marcas em cerca de 600 apresentações de medicamentos sob prescrição, genéricos e isentos de prescrição. Em 2003, a companhia deu início ao processo de consolidação, com a incorporação da Asta Médica do Brasil. Dois anos depois, deu importante passo com a compra da Biosintética Farmacêutica, que possibilitou ao laboratório entrar no segmento de genéricos. Em 2008, a empresa firmou parceria com a americana RFI Ingredients, marcando a entrada do grupo no mercado americano e canadense com a comercialização do creme anti-inflamatório Acheflan.

(Mônica Scaramuzzo e Vanessa Adachi | Valor)

 

 

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